Depois do fim do Carnaval, tem início um dos períodos mais importantes do calendário cristão: a Quaresma. Celebrada ao longo de aproximadamente quarenta dias, ela começa na Quarta-feira de Cinzas e segue até a Quinta-feira Santa, sendo marcada por oração, jejum e caridade.
Apesar de o intervalo no calendário parecer maior, a Igreja não contabiliza os domingos, considerados celebrações da ressurreição. Por isso, mantém-se simbolicamente os quarenta dias que dão nome ao período.
O significado da Quaresma
Na tradição bíblica, o número quarenta representa preparação e amadurecimento espiritual. A referência vem do tempo em que Jesus permaneceu no deserto em oração e jejum. Inspirados por esse episódio, os fiéis são convidados a rever atitudes, escolhas e responsabilidades.
Mais do que um conjunto de regras, a Quaresma é vista como um tempo de conversão pessoal — ou seja, mudança de direção. Diferente do que muitos pensam, não é um sistema rígido de proibições alimentares, embora existam orientações formais.
Entre elas estão o jejum obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, para pessoas entre 18 e 59 anos, e a abstinência de carne às sextas-feiras para maiores de 14 anos. Doentes, gestantes, idosos e pessoas em situações específicas são dispensados.

Jejum, oração e caridade: os três pilares
A Igreja Católica propõe três práticas principais durante a Quaresma: jejum, oração e esmola.
O jejum vai além da alimentação e inclui reduzir excessos, abandonar hábitos prejudiciais e rever o consumo.
A oração representa recolhimento e reflexão em meio à rotina acelerada, estimulando silêncio e escuta interior.
Já a esmola é entendida como partilha concreta. A ideia é que a renúncia gere ajuda ao próximo.
Segundo o padre Clésio dos Santos, da Reitoria do Carmo, em Vitória, os três elementos precisam caminhar juntos para fazer sentido. Sem reflexão e mudança de atitude, o período perde o propósito.
Abstinência de carne e mudança de comportamento
Um dos costumes mais conhecidos é evitar carne às sextas-feiras. Historicamente, o alimento era associado a celebração. Ao abrir mão dele, o fiel pratica simplicidade em memória do sofrimento de Cristo.
O foco, porém, não é o alimento em si, mas a transformação interior. A proposta é que o gesto provoque consciência e melhoria nas relações.
Caridade como consequência
A Igreja também enfatiza que a renúncia deve resultar em benefício para alguém. Deixar de consumir algo pode virar ajuda concreta para pessoas em vulnerabilidade.
A Quarta-feira de Cinzas simboliza essa mudança de postura, marcando a passagem dos excessos do Carnaval para um tempo de reflexão.
Mensagem para 2026
Na mensagem para a Quaresma de 2026, o Papa Leão XIV destacou a importância do silêncio e do diálogo. Ele propôs o “jejum da linguagem”, incentivando a redução de ofensas, julgamentos e agressividade.
Em meio ao excesso de estímulos e respostas imediatas, o período convida a desacelerar, ouvir mais e fortalecer relações — dentro e fora das redes sociais.
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