A comunidade internacional lamenta a morte de Eva Schloss, sobrevivente do Holocausto e cofundadora da Fundação Anne Frank UK, aos 96 anos. O falecimento ocorreu no último sábado (3/1), conforme comunicado da instituição, que destacou sua trajetória como educadora, defensora da memória histórica e promotora incansável da compreensão e da paz.
Nascida em 1929 na Áustria, Eva era filha de Elfriede e Erich Geiringer e meia-irmã póstuma de Anne Frank. Durante a infância, a família fugiu da perseguição nazista para a Bélgica e depois se estabeleceu em Amsterdã, nos Países Baixos, próximo à casa de Anne.
As duas meninas eram da mesma idade e costumavam brincar juntas até que a ocupação nazista obrigou a família a se esconder a partir de 1942.
Em maio de 1944, no dia em que completava 15 anos, Eva, sua mãe e seu irmão Heinz foram traídos e deportados para o campo de extermínio de Auschwitz. Seu pai e outro irmão não sobreviveram.
Libertada em 1945, Eva mudou-se para Londres, onde estudou, conheceu Zvi Schloss, com quem teve três filhas, e adquiriu a nacionalidade britânica. Em 2021, também recuperou a nacionalidade austríaca.
Após a guerra, a mãe de Eva casou-se com Otto Frank, pai de Anne Frank, fortalecendo os laços familiares e o compromisso de Eva com a preservação da memória da sobrinha. Em 1990, fundou a Fundação Anne Frank UK, voltada a transmitir às novas gerações os horrores do Holocausto e combater preconceitos.
Desde 2013, Eva era membro da Ordem do Império Britânico e viajava pelo mundo realizando palestras em escolas, prisões e instituições culturais.
Em nota, a fundação afirmou que Eva foi uma “mulher extraordinária, educadora devotada e incansável na transmissão da memória, da compreensão e da paz”. A família também manifestou grande tristeza com a perda.
A Casa Real Britânica prestou homenagens, com o rei Charles III e a rainha Camila, madrinha da fundação, destacando o privilégio de ter conhecido Eva e lembrando que ela dançou com o rei em um evento em Londres em 2022.
Além de palestrante, Eva Schloss escreveu livros sobre sua experiência e sobre a memória do Holocausto, mantendo viva a história de Anne Frank e de milhões de vítimas da perseguição nazista. Gillian Walnes, vice-presidente da fundação, afirmou que “o legado de Eva continua vivo nas vidas que tocou e na história que, com tanta coragem, manteve viva”.
Eva Schloss deixa um legado de resiliência, coragem e compromisso com a memória histórica, sendo lembrada como referência mundial na educação sobre o Holocausto e na luta contra o preconceito e a intolerância.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor diste de notícias do Rio de Janeiro.












