Julho é o mês consagrado a Nanã Buruquê, uma das orixás mais antigas e respeitadas das religiões afro-brasileiras. Senhora da lama, das águas profundas e dos ciclos da vida e da morte, Nanã representa a ancestralidade, a sabedoria e a transmutação espiritual.
Apesar de ser menos evocada em terreiros de Umbanda, sua importância é central no culto Jeje, tradição africana do antigo Daomé (atual Benim), onde é considerada a divindade suprema, assim como Oxalá no culto Ketu. No Brasil, Nanã é sincretizada com Sant’Ana, a avó de Jesus Cristo, e sua celebração ocorre em 26 de julho.
Mãe de orixás como Omolu, Oxumarê, Ewá e Iroko, Nanã é símbolo do amadurecimento espiritual, da justiça e da conexão com os antepassados. Seus rituais são marcados por cânticos, rezas, folhas sagradas e oferendas como milho roxo, ameixas, jabuticabas, vinho e flores roxas. Suas cores tradicionais são roxo e lilás, ligadas à espiritualidade e à introspecção.
Seu instrumento simbólico é o ibiri, utilizado para limpar energias e renovar o axé. Em todo o país, terreiros realizam durante o mês de julho ritos de louvação a Nanã, reforçando o papel das mulheres mais velhas como guardiãs da memória espiritual e da sabedoria.
Celebrar Nanã é reverenciar o tempo, a cura, a transformação e os mistérios da vida. É também um gesto de resistência e valorização da cultura afro-brasileira, que preserva a história, a fé e os saberes ancestrais de um povo.
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