Um mistério que durou quase cinco décadas chegou ao fim. O corpo do pianista Francisco Tenório Jr., desaparecido em 1976 durante a ditadura militar argentina, foi finalmente identificado pela Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF). Para marcar esse reconhecimento histórico, o BNDES realizou, nesta quarta-feira (1º), um ato cultural em sua homenagem.
Coordenado por Gilberto Gil, o evento contou com apresentações de Caetano Veloso, Joyce Moreno e Marcos Valle, além da presença de familiares de Tenório Jr. e de representantes de movimentos históricos como as Mães da Praça de Maio (Argentina) e a Marcha do Silêncio (Uruguai), que seguem mobilizados por justiça no Cone Sul.
Tenório Jr., carioca do bairro de Laranjeiras, era um dos expoentes do samba-jazz e da bossa nova. Durante uma turnê pela Argentina e Uruguai ao lado de Vinícius de Moraes e Toquinho, foi sequestrado por agentes da Operação Condor. Torturado e executado, foi enterrado como indigente em Buenos Aires. Seu desaparecimento foi reconhecido tanto pelo governo brasileiro quanto pelo argentino.
O perito Lucas Guanini, responsável pela identificação por meio de impressões digitais, destacou a missão humanitária da equipe: “Nosso trabalho é oferecer respostas às famílias. Cada identificação representa a quebra de um silêncio de décadas.”
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou a importância da arte como instrumento de memória. “A homenagem a Tenório Jr. é um ato de justiça simbólica. Não podemos permitir que essas histórias se apaguem.”
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