Mulheres indígenas e jovens LGBTQIAPN+ estiveram no centro das discussões realizadas nesta terça-feira (22), na Aldeia Sapukai, em Bracuí, Angra dos Reis.
O encontro “Diálogos que Fortalecem” reuniu lideranças e ativistas para tratar de autonomia econômica, respeito à diversidade e ampliação de direitos dentro dos territórios tradicionais.
Participaram da atividade as ativistas Benny Briolly e Neusa Guarani, o vice-cacique Gonçalino e Lucas Xunu, liderança ligada à defesa da saúde indígena.
A Aldeia Sapukai é conduzida pelo cacique Algemiro da Silva, que não participou do encontro.
Artesanato sustenta famílias
A produção artesanal realizada pelas mulheres das aldeias foi apontada como uma importante fonte de renda para as comunidades.
Peças e produtos tradicionais ajudam no sustento familiar e também preservam conhecimentos transmitidos entre diferentes gerações.

Apesar dessa importância, as produtoras ainda enfrentam obstáculos para divulgar e comercializar o artesanato.
As participantes defenderam a criação de políticas públicas capazes de ampliar o acesso aos mercados, apoiar o empreendedorismo e garantir maior independência financeira às mulheres indígenas.
Juventude LGBTQIAPN+ busca visibilidade
A situação de pessoas LGBTQIAPN+ dentro das comunidades indígenas também foi debatida durante o encontro.
O tema ainda possui pouca visibilidade, embora faça parte da realidade de jovens que enfrentam diferentes formas de discriminação.
As lideranças destacaram a necessidade de criar espaços seguros de acolhimento e de fortalecer ações contra o racismo, o machismo e a intolerância relacionada à orientação sexual ou à identidade de gênero.
Justiça social exige reconhecimento
Benny Briolly afirmou que o fortalecimento da justiça social depende da valorização de grupos que permaneceram historicamente invisibilizados.
Para a ativista, apoiar as mulheres indígenas e a juventude LGBTQIAPN+ também representa fortalecer a luta coletiva dos povos originários.
A participação desses grupos nos debates e nas decisões das comunidades foi apresentada como uma etapa necessária para garantir direitos e enfrentar diferentes formas de violência e exclusão.

Escuta pode gerar políticas públicas
Neusa Guarani ressaltou a importância de encontros que permitam às comunidades apresentar suas próprias necessidades.
Segundo ela, os espaços de diálogo ajudam a transformar demandas locais em propostas de políticas públicas.
A escuta também contribui para valorizar os conhecimentos tradicionais e ampliar a presença de mulheres e jovens nos processos de decisão.

Preservação e autonomia caminham juntas
O encontro reforçou que a proteção da cultura indígena precisa estar acompanhada de medidas voltadas à geração de renda e à garantia de direitos.
O apoio ao artesanato, o combate à discriminação e a criação de espaços de participação foram apresentados como caminhos para fortalecer as comunidades.
Ao reunir diferentes lideranças na Aldeia Sapukai, o “Diálogos que Fortalecem” ampliou o debate sobre autonomia econômica, diversidade e reconhecimento dentro dos territórios indígenas.
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