As ruas do bairro do Andaraí, na zona norte do Rio de Janeiro, ficaram tomadas por crianças neste sábado (27), em celebração ao Dia de Cosme e Damião. Mochilas e sacolas se encheram de guloseimas distribuídas por devotos que cumprem promessas e mantêm viva uma tradição de fé e alegria.
Entre eles está o comerciante José Henrique Nunes, que distribuiu centenas de saquinhos de doces em agradecimento à recuperação do filho Samuel, de 2 anos. “Esse garoto, com 20 dias de vida, teve meningite. Graças a Deus e a Cosme e Damião, está aí, saudável. Eu prometi por sete anos dar os docinhos”, contou emocionado.
Na esquina, a aposentada Tânia Ponciano oferecia maçãs cobertas de chocolate, tradição herdada da mãe umbandista. “Minha devoção é de amor. Continuamos a missão da mamãe no terreiro”, disse, enquanto garantia que nenhuma criança ficasse sem presente.
No catolicismo, os santos são lembrados como médicos mártires, enquanto nas religiões afro-brasileiras são associados aos orixás Ibejis, símbolos da infância e da inocência. O padre Walter Almeida Peixoto, da Paróquia de São Cosme e São Damião, destacou a diferença, mas também a convivência entre as tradições.
As celebrações continuam até 5 de outubro com o Encontro de Povos de Terreiro, que inclui distribuição de doces, recreação infantil e contação de histórias. Entre fé, música e brincadeiras, a data reafirma a força de uma das manifestações culturais mais queridas do Brasil.
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