Uma campanha publicitária da Havaianas, lançada no fim do ano, ultrapassou as fronteiras do Brasil e ganhou destaque no noticiário internacional após provocar reações intensas de setores da direita brasileira. O episódio foi tema de uma reportagem publicada pelo The New York Times, que analisou como um dos símbolos mais populares do país acabou envolvido em disputas políticas.

Conhecida pelo slogan “todo mundo usa, todo mundo adora”, a marca sempre ocupou um lugar quase consensual no imaginário nacional. De acordo com o jornal americano, mesmo em um país marcado por profundas divisões políticas nos últimos anos, as sandálias de borracha coloridas costumavam escapar das disputas ideológicas. A campanha de fim de ano, no entanto, rompeu esse padrão.
O estopim da controvérsia foi o comercial estrelado pela atriz Fernanda Torres, no qual a mensagem central brinca com a expressão popular “começar o ano com o pé direito”. No anúncio, a proposta é justamente inverter o ditado, sugerindo que os brasileiros não iniciem o ano-novo “com o pé direito”, em um trocadilho associado ao uso das sandálias.
Segundo o New York Times, vozes influentes da direita interpretaram a peça publicitária como uma provocação política. Entre os críticos estariam aliados e familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro, que enxergaram na campanha uma tentativa velada de desestimular eleitores conservadores em um contexto pré-eleitoral.
Após a veiculação do comercial, parlamentares e influenciadores alinhados ao bolsonarismo passaram a defender publicamente o boicote à marca, prometendo substituir as Havaianas por sandálias de empresas concorrentes. O jornal americano destaca que a reação ocorreu justamente em um momento de forte tensão política no país, marcado por disputas judiciais envolvendo Bolsonaro e pela manutenção de sua inelegibilidade, decisão que segue dividindo opiniões no Brasil.
A reportagem também observa que, apesar de estar impedido de concorrer a cargos públicos, Bolsonaro continua exercendo influência significativa sobre a direita brasileira. Nesse cenário, o New York Times menciona especulações sobre o papel político de seus filhos e sobre a possibilidade de a direita lançar um nome competitivo em uma futura disputa presidencial contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para o jornal, o caso das Havaianas ilustra como a polarização política no Brasil tem se infiltrado em esferas antes consideradas neutras, como a publicidade e o consumo. O episódio reforça a percepção internacional de que disputas ideológicas no país extrapolam o campo institucional e passam a moldar comportamentos cotidianos, incluindo escolhas de marcas e produtos.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












