Um levantamento recente aponta que os níveis de violência permanecem praticamente inalterados em áreas do Rio de Janeiro mesmo após uma grande operação policial realizada no fim de 2025.
Dados divulgados pelo Instituto Fogo Cruzado indicam que o cenário segue semelhante ao período anterior à ação, que terminou com 122 mortos.
Na região da Penha, na zona norte da capital fluminense, foram registrados ao menos 35 episódios de tiroteio nos seis meses seguintes à operação, que teve como alvo o grupo criminoso Comando Vermelho.
Cerca de 40% desses casos ocorreram durante ações policiais, e 18 pessoas foram baleadas no período.
Os números são próximos aos observados antes da ofensiva. Nos seis meses anteriores, haviam sido contabilizados 37 tiroteios na mesma região, indicando ausência de mudanças significativas nos indicadores de violência local.
Para o coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio, Carlos Nhanga, os dados evidenciam limitações de operações baseadas principalmente no confronto direto.
Segundo ele, esse tipo de estratégia tende a atingir apenas níveis operacionais das organizações criminosas, sem comprometer suas estruturas.
O especialista avalia que esse modelo de política de segurança vem sendo adotado há décadas sem resultados duradouros.
Além disso, destaca que a dinâmica expõe moradores, trabalhadores e agentes públicos a situações constantes de risco, sem resolver as causas estruturais do problema.
Na análise de Nhanga, o enfrentamento ao crime organizado exige medidas mais amplas, voltadas ao desmonte das estruturas financeiras e redes de apoio dessas organizações, que atuam de forma complexa e, em alguns casos, com alcance internacional.
Ele também ressalta que ações concentradas apenas nos executores diretos tendem a ter impacto limitado, já que não atingem os níveis estratégicos dos grupos criminosos.
Dessa forma, mesmo operações com alto número de mortes não seriam suficientes para alterar de maneira consistente o cenário da violência.
O governo do estado do Rio de Janeiro foi procurado para comentar os dados apresentados, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
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