Um vídeo de câmera corporal da própria Polícia Militar revelou policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) furtando objetos de uma residência no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro. O episódio ocorreu em 15 de janeiro de 2025, durante uma operação voltada para desarticular o setor financeiro da facção criminosa Comando Vermelho (CV).
As imagens, divulgadas meses depois, mostram oito agentes entrando na casa sem mandado judicial. Armados com fuzis, eles largam o armamento para vasculhar o imóvel e, usando mochilas camufladas, recolhem perfumes importados, tênis e roupas de marca.
Em conversas captadas pela câmera, um dos policiais afirma: “Estou precisando de um Playstation 5. Se alguém achar, me chama que eu jogo tudo fora”. Outro responde: “Também estou”. Um terceiro comenta: “Se tivesse com a viatura, levava a JBL”, em referência a uma caixa de som.
🚨 #Vídeo | Câmera corporal flagra policiais do BOPE furtando uma casa no Complexo do Alemão.
👮♂️ Oito agentes aparecem revirando o imóvel; todos foram afastados das ruas.Siga, curta! @orebate pic.twitter.com/SBmKXG3dNo
— ORebate (@ORebateOficial) October 1, 2025
Os agentes aparentemente acreditavam que todas as câmeras haviam sido desligadas, mas uma permaneceu ativa e registrou todo o episódio.
Resposta da Polícia Militar
A Corregedoria da Polícia Militar informou que a investigação interna foi concluída e encaminhada ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que atua junto à Auditoria da Justiça Militar. Os oito policiais foram afastados das atividades operacionais e cumprem funções administrativas.
Em nota, a corporação declarou que “não compactua com desvios de conduta, práticas criminosas ou abusos por parte de seus integrantes, e aplica as penalidades cabíveis sempre que tais condutas são comprovadas”. O processo judicial segue em andamento.
Condenação inédita pelo uso de câmeras
No mesmo contexto, o Rio registrou recentemente a primeira condenação por descumprimento no uso obrigatório das câmeras corporais. O cabo Thiago Durade Martins, do 33º BPM (Angra dos Reis), foi sentenciado a um ano e dois meses de detenção em regime aberto por remover o equipamento em serviço, inviabilizando registros em três ocasiões diferentes em 2023.
A Justiça Militar enquadrou a conduta como crime de recusa de obediência, previsto no artigo 163 do Código Penal Militar, com base na Instrução Normativa nº 0111/2022 e na Lei Estadual nº 9.298/2021, que determinam o uso obrigatório das câmeras por agentes da PM.
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