Na Costa Verde do Rio de Janeiro, comunidades caiçaras e quilombolas estão consolidando o Turismo de Base Comunitária (TBC), que coloca os moradores no centro da gestão e das decisões sobre a atividade turística.
O Projeto Roteiro Caiçara, iniciado em julho de 2025, encerrou sua primeira fase em dezembro com cursos de capacitação, reuniões comunitárias e planejamento de infraestrutura. A segunda fase do projeto terá início em 2026, com novos cursos e ações voltadas à valorização cultural e conservação ambiental.
Participam do projeto 12 comunidades, sendo seis em Paraty — Saco do Mamanguá, Trindade, Parati Mirim, Praia do Sono, Ponta Negra e São Gonçalo — e seis em Ilha Grande, em Angra dos Reis — Bananal, Matariz, Aventureiro, Enseada das Estrelas, Dois Rios e Praia Vermelha.
O TBC vai além do turismo tradicional de massa, promovendo visitas que respeitam o território, os moradores e o meio ambiente, ao mesmo tempo em que gera oportunidades de trabalho e renda local. “Nosso objetivo é fortalecer quem está no território, valorizando os serviços turísticos que já existem e oferecendo capacitação formal para guias e condutores ambientais”, explica Bete Canela, coordenadora do projeto.
O Roteiro Caiçara atua em cinco frentes principais: capacitação de guias e condutores, obras de infraestrutura, manejo de trilhas, definição de roteiros turísticos e conservação ambiental. Cada comunidade define suas prioridades para obras que deixem um legado local, como a reforma de píeres ou criação de centros de atendimento a visitantes.
Durante os primeiros seis meses, foram realizados cursos de Formação Básica para Condutores Ambientais com turmas de até 42 participantes, além de 26 reuniões comunitárias que trataram do planejamento das obras, monitoramento da fauna e flora e mapeamento de roteiros turísticos, envolvendo cerca de 260 pessoas.
Na segunda fase, prevista para o primeiro semestre de 2026, os guias receberão credenciamento oficial, transformando atividades antes informais em oportunidades de trabalho formal, com maior reconhecimento profissional e benefícios econômicos diretos para a comunidade.
O Turismo de Base Comunitária promove a distribuição justa de renda, valoriza a cultura local e reduz impactos ambientais, fortalecendo a conservação da natureza em territórios sensíveis. Segundo Bete Canela, a prática garante que a atividade turística coexista com formas tradicionais de vida, enquanto os visitantes aprendem sobre história, culinária, artesanato e tradições locais.
O projeto é desenvolvido pelo Instituto Caminho da Mata Atlântica (ICMA), com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, integrando ações de desenvolvimento socioeconômico, valorização cultural e preservação da biodiversidade.
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