A operação dos trens urbanos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro passa, a partir deste sábado (30), para a TrensRJ, braço operacional do consórcio Nova Via Mobilidade. A mudança marca o encerramento da gestão da SuperVia, que esteve à frente do sistema por quase três décadas, e abre uma nova etapa para a tentativa de recuperação da malha ferroviária fluminense.
A transição ocorre por meio de um contrato de permissão com duração inicial de cinco anos, podendo ser renovado por igual período. O modelo foi estruturado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro e homologado pela 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Segundo a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana, a escolha da Nova Via Mobilidade foi feita após leilão judicial e análise da documentação técnica e financeira do consórcio.
Uma das principais mudanças está na forma de remuneração da nova operadora. Diferentemente do contrato anterior, o pagamento à TrensRJ será baseado na produção quilométrica, ou seja, na quilometragem percorrida dentro da grade de viagens e nos parâmetros de desempenho definidos para a operação. Na prática, o modelo busca vincular a remuneração à oferta efetiva do serviço e à regularidade dos trens, reduzindo a dependência direta da arrecadação tarifária.
Pelo novo regime, caberá ao Governo do Estado a definição do valor da tarifa, a gestão das gratuidades e os aportes necessários para viabilizar os investimentos prioritários na malha. O plano prevê mais de R$ 600 milhões em melhorias ao longo dos cinco anos de contrato, com foco na recuperação da infraestrutura básica e na modernização tecnológica do sistema.
À TrensRJ caberá a operação diária, a manutenção da frota e a execução técnica dos projetos financiados pelo poder público. A nova fase terá apoio de parceiros técnicos, entre eles o Grupo Barraqueiro, de Portugal, e a MPE Engenharia, que devem contribuir com experiência em transporte, infraestrutura e manutenção metroferroviária.
O desafio é considerado complexo. A nova operadora assume uma malha de aproximadamente 270 quilômetros, com mais de 100 estações espalhadas pela Região Metropolitana. O sistema chega à nova gestão após anos de dificuldades financeiras, queda no número de passageiros, furtos de cabos, problemas de manutenção, falhas operacionais e perda de confiança por parte dos usuários.
A expectativa é que as melhorias sejam percebidas de forma gradual. Entre as intervenções previstas estão a renovação de trechos de trilhos, substituição de dormentes, recomposição de brita e reforma da rede aérea. A nova gestão afirma que a recuperação da confiabilidade do sistema dependerá de obras estruturais, manutenção contínua e reorganização operacional ao longo de todo o período contratual.
Neste primeiro momento, o foco será garantir a normalidade da operação, reforçar a limpeza de estações e composições, melhorar a manutenção da frota e ampliar a segurança em parceria com o Grupamento de Polícia Ferroviária. A compra de novos trens permanece como responsabilidade futura do Governo do Estado.
Para os passageiros, a transição não deve provocar mudanças imediatas no acesso ao sistema. Os cartões Riocard Mais continuam válidos, as regras de gratuidade permanecem inalteradas e a Tarifa Social de R$ 5,00 segue em vigor para os beneficiários cadastrados.
A chegada da TrensRJ representa uma tentativa de reconstrução do transporte ferroviário de passageiros no Rio de Janeiro. Para milhares de usuários que dependem diariamente dos trens para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais, o principal desafio será transformar o novo contrato em resultados concretos: viagens mais regulares, estações mais limpas, menos falhas, mais segurança e maior previsibilidade no deslocamento pela Região Metropolitana.
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