O Rio se despediu, nesta terça-feira, 30 de junho, do surfista José Ricardo Ramos, conhecido como Bocão. Familiares, amigos e alunos acompanharam o velório na sede da Rocinha Surfe Escola, projeto social fundado por ele na comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio.
O corpo do professor de surfe foi encontrado no domingo, 28 de junho, no costão da Avenida Niemeyer, após dias de buscas. O sepultamento aconteceu no Cemitério São João Batista, em Botafogo, em um clima de forte emoção entre as pessoas que acompanharam a trajetória de Bocão dentro e fora do mar.
Durante a despedida, o filho do surfista, Ricardo Ramos, agradeceu o apoio recebido e voltou a falar sobre as dificuldades financeiras enfrentadas pelo pai nos últimos meses. Segundo ele, Bocão passava por problemas relacionados ao atraso de pagamento em um projeto no qual trabalhava.
Ricardo também afirmou que deseja localizar um casal que teria conversado com o pai pouco antes de ele entrar no mar, na madrugada de quarta-feira, 24 de junho. A família busca entender os últimos momentos do professor antes do desaparecimento.
O cantor Gabriel o Pensador, amigo de Bocão desde a juventude, participou do velório e prestou homenagem ao surfista. O artista lembrou a importância do professor para a história do surfe em São Conrado e para a formação de crianças e adolescentes da Rocinha.
Bocão era reconhecido pelo trabalho social desenvolvido por meio da Rocinha Surfe Escola. O projeto ensinava surfe a crianças e jovens da comunidade e também promovia ações ligadas à educação ambiental, sustentabilidade e inclusão social.
Amigos relataram que o professor era uma pessoa generosa, sempre disposta a ajudar quem precisava. Alunos também destacaram o papel de Bocão como incentivador, especialmente para jovens que viam no esporte uma oportunidade de disciplina, convivência e transformação.
A Rocinha Surfe Escola, fundada há quase quatro décadas, atendia centenas de alunos e se tornou uma referência no uso do esporte como ferramenta social. Agora, familiares, amigos e apoiadores discutem formas de manter vivo o legado deixado pelo surfista.
Nesta quarta-feira, 1º de julho, surfistas da região organizam uma homenagem a Bocão na Praia de São Conrado, em frente à Avenida Niemeyer, às 9h.
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