O secretário da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, entregou nesta terça-feira (10) ao procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, o relatório oficial da corporação sobre a operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) que resultou na morte do jovem Herus Guimarães Mendes, de 22 anos, e deixou cinco moradores feridos, na comunidade de Santo Amaro, bairro do Catete, zona sul da capital fluminense.
A ação ocorreu na madrugada do último sábado (7), durante uma apresentação de quadrilhas juninas organizada por moradores da comunidade. Segundo testemunhas, uma equipe de 12 policiais do Bope invadiu o local atirando. Herus foi baleado e morreu ainda no local. Outras cinco pessoas ficaram feridas. A operação gerou revolta entre os moradores e foi amplamente denunciada como truculenta e injustificada.
O relatório entregue pela PM ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) detalha a atuação dos agentes e será analisado no âmbito do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) instaurado pelo MP para apurar os fatos.
Além do secretário, participaram da entrega do relatório os coronéis Luciano Carvalho de Souza (subsecretário-geral da PM), Ranulfo Souza Brandão Filho (subsecretário de Gestão Operacional), Ângelo da Costa Pereira (corregedor-geral), além do tenente-coronel Alex Sandro da Silva (responsável pela 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar) e a porta-voz da corporação, tenente-coronel Claudia Moraes.
Perícia independente
Nas primeiras horas após o crime, o procurador-geral de Justiça determinou a mobilização imediata de estruturas do MP para garantir transparência nas investigações. Uma equipe formada por um perito e três técnicos periciais foi enviada ao Instituto Médico Legal (IML) para realizar uma perícia independente no corpo de Herus Mendes, utilizando scanner de alta definição e tecnologia digital avançada.
A morte do jovem durante uma festa tradicional e comunitária causou comoção e aumentou a pressão sobre o governo estadual e a cúpula da segurança pública do Rio de Janeiro, que vêm sendo criticados por operações letais em áreas periféricas e em comunidades vulneráveis, muitas vezes sem justificativa clara ou ordem judicial.
A investigação do Ministério Público pode trazer desdobramentos tanto disciplinares quanto criminais, a depender das conclusões sobre a legalidade e a proporcionalidade da ação conduzida pelo Bope.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações da Agência Brasil. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












