Mulheres vítimas de violência de gênero passaram a contar com novos espaços de atendimento dentro da estrutura de segurança pública e dos serviços médico-legais do Rio de Janeiro.
As chamadas Salas Lilás foram criadas em delegacias e unidades do Instituto Médico-Legal (IML) com o objetivo de oferecer um atendimento mais especializado e diminuir situações que possam causar nova exposição ou sofrimento às vítimas.
A iniciativa amplia uma estrutura que já está presente nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam). Os ambientes foram planejados para receber mulheres envolvidas em diferentes situações de violência, oferecendo um percurso mais integrado entre o atendimento policial e os procedimentos médico-legais.
Entre as ocorrências que podem ser atendidas estão casos de violência doméstica, estupro e feminicídio. Os espaços também permitem procedimentos relacionados à solicitação de medidas protetivas de urgência, quando houver necessidade de proteção da vítima.
A implantação ocorre em meio ao desafio de combater diferentes formas de violência contra mulheres e meninas. Além dos crimes cometidos presencialmente, as autoridades também enfrentam o crescimento de práticas violentas realizadas por meio da internet.
Violência virtual cresce mais de 1.300% em dez anos
O Dossiê Mulher 2026, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) e divulgado em julho, apontou um aumento superior a 1.300% em dez anos nos registros de crimes relacionados à violência psicológica e moral contra meninas e mulheres no ambiente virtual no estado.
Os números mostram como as políticas de proteção precisam acompanhar a transformação das formas de violência. Além dos episódios ocorridos dentro de casa ou em espaços públicos, mulheres também podem ser vítimas de agressões e ameaças praticadas em redes sociais e outras plataformas digitais.
Durante a apresentação do levantamento, o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, destacou que o atendimento às vítimas precisa estar acompanhado de ações preventivas.
Segundo ele, garantir acolhimento adequado às mulheres que procuram os serviços públicos é essencial, mas as políticas de segurança também devem atuar para impedir que os casos aconteçam.
“A gente sabe que o problema de violência da mulher é um problema que, na grande maioria dos casos, está dentro de casa. É um problema, muitas vezes, de educação do homem, do garoto, orientação da menina, orientação da mulher. Não basta nós termos toda essa política de receber a mulher, de atendê-la bem, se a gente não consegue fazer um trabalho preventivo efetivo”, afirmou.
Salas reúnem diferentes etapas do atendimento
A estrutura das Salas Lilás foi organizada para concentrar diferentes fases do atendimento em ambientes interligados. O modelo é dividido em três espaços principais, cada um destinado a uma etapa específica.
A primeira área é a sala de espera, planejada para proporcionar um ambiente mais acolhedor às vítimas. O local conta com materiais informativos e uma área lúdica para crianças que estejam acompanhando as mulheres durante o atendimento.
Na sequência está a sala de atendimento, onde a vítima é acolhida e pode registrar a ocorrência. O espaço também permite solicitar medidas protetivas de urgência, recurso destinado a situações em que seja necessária uma proteção adicional diante do episódio de violência.
A terceira área é a sala de exames, destinada aos procedimentos médico-legais. O espaço fica preparado para a realização dos exames necessários dentro da estrutura do Instituto Médico-Legal.
Objetivo é reduzir a revitimização
Um dos principais objetivos da organização das Salas Lilás é evitar que mulheres já submetidas a situações de violência precisem enfrentar novas experiências capazes de aumentar seu sofrimento durante a busca por ajuda.
Ao reunir diferentes serviços em uma estrutura especializada, o modelo procura reduzir a necessidade de deslocamentos entre espaços distintos e diminuir a repetição dos relatos sobre o episódio ocorrido.
O atendimento pode envolver acolhimento, registro da ocorrência, solicitação de medidas protetivas e realização de exames médico-legais, de acordo com as necessidades apresentadas em cada caso.
A ampliação das Salas Lilás fortalece a rede de atendimento às vítimas de violência de gênero no estado e complementa a atuação das delegacias especializadas. A iniciativa também destaca a necessidade de combinar acolhimento e proteção com ações capazes de prevenir novos episódios de violência.
Com a integração entre atendimento policial, suporte especializado e serviços médico-legais, a proposta é tornar o caminho percorrido pelas vítimas dentro da rede pública mais organizado, humanizado e protegido.
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