A Ronda Maria da Penha (RMP), da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, completa cinco anos de atuação neste mês de março com números que reforçam a importância do serviço na proteção de mulheres vítimas de violência. Desde a criação do grupamento especial, em março de 2021, 10.550 mulheres já receberam assistência em algum momento. Um dos dados que mais chama atenção é que, no último ano, não houve registro de feminicídio entre as mulheres acompanhadas pela equipe.
Somente em 2025, a Ronda Maria da Penha recebeu 3.933 chamados. Com isso, subiu para 5.631 o total de mulheres sob proteção dos agentes municipais. No mesmo período, foram contabilizadas 24.194 ações de acolhimento, que incluem visitas regulares, monitoramento e acompanhamento contínuo para verificar a segurança e o bem-estar das assistidas.
Os números revelam a dimensão do problema da violência contra a mulher, que atinge vítimas de diferentes perfis sociais, faixas etárias, religiões e níveis de escolaridade. Entre as mais de cinco mil medidas protetivas em vigor, um dos casos acompanhados é o de uma idosa de 100 anos, moradora da Tijuca, na Zona Norte do Rio. Por determinação judicial e em respeito ao sigilo, a identidade dela não foi divulgada.
A centenária passou a receber proteção em 2023, após denunciar episódios de violência psicológica praticados por um neto com quem morava. Segundo o relato da vítima, o comportamento agressivo se intensificava após o consumo de álcool.
“Me xingava muito e eu ficava com medo até que me levaram na delegacia e conseguiram deixar ele longe”, contou.
Além das visitas de acompanhamento, a Ronda Maria da Penha também pode ser acionada em situações emergenciais e em casos de flagrante violência. Apenas no ano passado, foram registradas 265 conduções para delegacias e 43 prisões em flagrante. A maior parte dessas ocorrências envolveu descumprimento de medidas protetivas.
Ao longo de cinco anos, o grupamento contabilizou 161 prisões, incluindo casos de violência física e até cárcere privado. Segundo a corporação, em todas as ocorrências os agentes conseguiram preservar a integridade das vítimas e conduzir os suspeitos às delegacias com atendimento humanizado.
De acordo com o comandante da Guarda Municipal do Rio, inspetor-geral Itaharassi Bonfim Júnior, o balanço da atuação da Ronda Maria da Penha é positivo e demonstra a efetividade do trabalho realizado na cidade.
Segundo ele, os guardas municipais recebem treinamento para atuar no enfrentamento à violência contra a mulher, enquanto as equipes especializadas da ronda desempenham papel central tanto no combate direto quanto em ações de conscientização e orientação. O comandante também destacou que a corporação adota protocolos rigorosos de atuação e que a integração com outros órgãos fortalece a rede de proteção às vítimas.
A líder da Ronda Maria da Penha, Glória Maria, ressaltou que o trabalho do grupamento vai além da simples fiscalização das medidas protetivas expedidas pela Justiça.
De acordo com ela, a missão das equipes envolve garantir proteção imediata às mulheres e encaminhá-las para toda a rede de apoio disponível, incluindo oportunidades de empregabilidade, atendimento psicológico e acompanhamento por equipes multidisciplinares até que consigam reconstruir suas vidas com autonomia e segurança.
Criada em 12 de março de 2021, a Ronda Maria da Penha surgiu em meio ao aumento expressivo dos casos de violência contra a mulher durante a pandemia de Covid-19. Levantamentos do Instituto DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher, indicaram crescimento superior a 80% nesse tipo de violência no período.
Com a implantação de bases em regiões com maior concentração de denúncias, o serviço ampliou a capacidade de resposta e aproximou o atendimento das mulheres em situação de risco. Atualmente, a Ronda Maria da Penha conta com cerca de 100 guardas municipais capacitados para atuar nesse tipo de ocorrência.
O grupamento fiscaliza o cumprimento de medidas protetivas de urgência expedidas pelos Juizados de Violência Doméstica e Familiar e atua em parceria com a Secretaria da Mulher da Prefeitura do Rio. A iniciativa também integra a Rede de Proteção à Mulher no Brasil, formada por órgãos municipais, estaduais e federais.
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