Um relatório divulgado nesta sexta-feira (6) pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) aponta que a Operação Contenção, realizada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro em outubro de 2025, resultou em 122 mortes sem trazer efeitos reais para a segurança pública.
O episódio ganhou repercussão nacional com imagens de corpos alinhados em ruas do bairro da Penha, na zona norte da capital fluminense.
Segundo a CIDH, a intervenção policial “aprofundou o sofrimento comunitário, reforçou a desconfiança institucional e elevou o padrão histórico de violência estatal a um novo patamar de gravidade”.
A comissão destacou que operações extensivas, com militarização de territórios e enfoque punitivo, priorizam ações letais mesmo em contextos de risco elevado para a população civil, sem reduzir efetivamente a criminalidade.
A investigação incluiu visitas a autoridades, organizações da sociedade civil, especialistas em direitos humanos e familiares das vítimas, além da análise de dados públicos e reportagens jornalísticas, com doze menções à cobertura da Agência Brasil.
O relatório aponta falhas graves na condução das investigações, como preservação inadequada de cenas de crime, fragilidade pericial, falhas na cadeia de custódia e elevado índice de arquivamento de casos.
A CIDH recomenda mudanças profundas nas políticas de segurança pública e socioeconômicas no Brasil, defendendo estratégias de inclusão, prevenção e justiça efetiva para romper o ciclo de morte, encarceramento e impunidade em favelas e periferias.
Entre as orientações estão a priorização de ações de inteligência, controle do tráfico de armas, revisão de protocolos policiais segundo normas internacionais e garantia de investigações independentes e completas sobre mortes e desaparecimentos.
A Operação Contenção mobilizou cerca de 2,5 mil policiais para enfrentar a facção Comando Vermelho, cumprindo mandados de busca e prisão. Foram registradas 113 prisões, 118 armas apreendidas e uma tonelada de drogas recolhida.
Apesar do governo estadual considerar a ação um “sucesso”, moradores, familiares das vítimas e organizações de direitos humanos denunciaram o episódio como uma “chacina”, com cadáveres encontrados degolados e sinais de execução.
O relatório conclui que o aumento de mortes não reduziu a criminalidade, com substituição rápida de integrantes de grupos criminosos e manutenção das estruturas ilícitas.
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