Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão desenvolvendo uma iniciativa voltada à modernização da mobilidade urbana por meio do uso de tecnologia, inteligência de dados e participação da população.
O projeto pretende criar centros inteligentes capazes de identificar falhas no trânsito e auxiliar na elaboração de políticas públicas mais eficientes para cidades do estado do Rio de Janeiro.
A pesquisa é realizada no Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ e surge em um cenário de crescimento nos acidentes de trânsito em todo o país. Dados do DataSUS apontam que o Brasil registrou mais de 37 mil mortes em 2024, maior índice dos últimos oito anos e aumento de 6,5% em comparação ao período anterior.
Entre os grupos mais afetados estão os motociclistas, responsáveis por aproximadamente 40% das vítimas fatais no trânsito brasileiro. Na capital fluminense, os impactos também são expressivos: cerca de 70% dos atendimentos de trauma na rede pública estão relacionados a acidentes envolvendo motocicletas.
O avanço de veículos de micromobilidade também entrou no radar dos pesquisadores. Ocorrências envolvendo patinetes elétricos e ciclomotores cresceram cerca de 700% em apenas um ano, aumentando a preocupação com segurança viária e adaptação da infraestrutura urbana.
Batizado de “Mob 4.0”, o projeto propõe a criação de laboratórios vivos de inovação urbana, espaços onde pesquisadores, gestores públicos e moradores participam conjuntamente da construção de soluções para o transporte e circulação nas cidades.
Segundo o pesquisador Matheus Henrique de Sousa Oliveira, a participação popular é considerada essencial para garantir que as medidas adotadas estejam alinhadas às necessidades reais da população.
A iniciativa já começou a ser aplicada em municípios como Campos dos Goytacazes e Cabo Frio, contando com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Entre as propostas discutidas estão a ampliação do transporte coletivo, criação de novas ciclovias, melhorias na segurança para pedestres e estudos sobre implementação de tarifa zero no transporte público.
Os pesquisadores destacam que os desafios da mobilidade urbana não dependem apenas de obras de infraestrutura, mas também de planejamento integrado, monitoramento inteligente e participação ativa da sociedade na formulação das políticas públicas.
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