A Prefeitura de São Paulo anunciou a suspensão do show do rapper Ye, anteriormente conhecido como Kanye West, que estava previsto para ocorrer em Interlagos. Em nota, o órgão declarou que não apoia “qualquer conduta criminosa de apologia ao nazismo e/ou racismo”. Segundo o comunicado, no momento da reserva do espaço, os organizadores não informaram qual artista seria contratado, e o contrato previa a possibilidade de revogação do termo caso fosse identificado algum problema posteriormente.
O cancelamento foi anunciado em outubro, e o espetáculo estava originalmente marcado para 29 de novembro. Ainda não há um novo local definido. Os organizadores afirmaram que, caso seja necessário adiar o evento, os ingressos serão reembolsados.
Nos últimos meses, Ye esteve envolvido em diversas controvérsias por declarações públicas de caráter antissemita e elogios ao regime nazista, incluindo músicas como “Heil Hitler”. Entre as consequências, houve a revogação de seu visto na Austrália, país de sua esposa Bianca Censori, e pedidos para impedir sua entrada em eventos na Rússia.
Guilherme Cavalcante, um dos organizadores do show em São Paulo, classificou a decisão da prefeitura como um “descaso absurdo” e uma “sacanagem”. Ele ressaltou que o pagamento ao artista foi realizado após a confirmação do espaço e que uma força-tarefa estava planejada para impedir qualquer manifestação nazista durante o evento, incluindo gestos ou roupas com símbolos associados ao regime. Cavalcante garantiu que todos os envolvidos estariam preparados para agir caso Ye promovesse qualquer apologia ao nazismo no palco.
Recentemente, o rapper declarou nas redes sociais que não se considera mais nazista, após semanas de polêmicas. “Após refletir um pouco mais, cheguei à conclusão de que não sou nazista”, escreveu ele. As controvérsias começaram em fevereiro, quando Ye publicou mensagens afirmando ser nazista, elogiar Hitler e pedir a “libertação de P Diddy”. As postagens, na maior parte em letras maiúsculas e sem pontuação, continham palavrões e levantaram suspeitas sobre possíveis invasões em sua conta. Posteriormente, Ye excluiu seu perfil e anunciou a saída da plataforma, agradecendo a Elon Musk pela oportunidade de se manifestar.
Além das redes sociais, o músico lançou em fevereiro um comercial de 30 segundos para o Super Bowl, filmado durante uma consulta odontológica. O vídeo mostrava Ye exibindo seus novos dentes e direcionava o público para o site yeezy.com, onde o único produto disponível era uma camiseta branca com uma suástica. A iniciativa gerou indignação e aumentou as controvérsias sobre sua conduta.
O episódio evidencia o impacto das ações e declarações de artistas sobre eventos culturais e reforça a responsabilidade das autoridades em prevenir manifestações de ódio, ao mesmo tempo em que levanta debates sobre os limites da liberdade de expressão e a responsabilidade social no entretenimento.
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