A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro, em mais um desdobramento das investigações que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, atuação da contravenção e possíveis conexões com agentes públicos do estado.
Nesta etapa da operação, foram expedidos mandados de prisão e de busca e apreensão contra alvos ligados à política, ao setor empresarial e ao jogo do bicho. Entre os nomes citados estão o pastor e empresário Márcio Poncio, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
Márcio Poncio foi alvo de mandado de prisão. Ele é conhecido por sua atuação como empresário do ramo do tabaco e também por ter fundado uma comunidade evangélica neopentecostal. A prisão ocorreu em um imóvel na Zona Oeste do Rio.
Rodrigo Bacellar, que já estava preso no sistema penitenciário do Rio, foi alvo de um novo mandado de prisão. A decisão também determinou a transferência do ex-parlamentar do presídio de Bangu para uma unidade prisional federal. Bacellar foi afastado do cargo em meio a investigações que apuram suspeitas de ligação com grupos criminosos.
O contraventor Adilsinho também foi alvo de novo mandado de prisão, apesar de já estar detido. Ele responde a investigações relacionadas ao jogo do bicho, homicídios e suposta liderança de atividades criminosas. Segundo as apurações, documentos apreendidos anteriormente teriam apontado possíveis repasses financeiros e registros de pagamentos a terceiros.
Marco Antônio Cabral foi alvo de mandado de busca e apreensão. Ex-deputado federal e filho do ex-governador Sérgio Cabral, ele aparece entre os investigados nesta fase da operação, que busca aprofundar a análise sobre eventuais vínculos entre a contravenção, a lavagem de dinheiro e setores da política fluminense.
Ao todo, a operação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços relacionados aos investigados. A Polícia Federal apura se recursos oriundos de atividades ilícitas teriam sido usados para financiar campanhas, manter influência política ou movimentar valores por meio de empresas e intermediários.
Um dos pontos centrais da investigação envolve documentos atribuídos a Adilsinho. As anotações, segundo informações da apuração, indicariam nomes, apelidos e possíveis valores relacionados a supostos repasses. A PF busca identificar se esses registros correspondem a pagamentos efetivos, doações eleitorais irregulares ou operações de lavagem de dinheiro.
A defesa dos citados tem negado envolvimento com crimes. Os investigados ainda não foram condenados neste novo desdobramento, e as responsabilidades individuais dependem da conclusão das investigações e da análise do Poder Judiciário.
A nova fase da Operação Unha e Carne aumenta a pressão sobre a política do Rio de Janeiro, especialmente por envolver nomes ligados ao Legislativo, ao setor empresarial e à contravenção. O caso também ocorre em um momento de forte tensão institucional no estado, com investigações que miram possíveis ramificações do crime organizado em diferentes áreas do poder público.
A Polícia Federal segue analisando documentos, movimentações financeiras, vínculos empresariais e eventuais conexões entre os investigados. Novos desdobramentos não estão descartados.
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