A suspeita de que candidatos possam ter sido favorecidos em um concurso público da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) levou a Polícia Federal a deflagrar, nesta quarta-feira (21), a Operação Gabarito. A investigação apura possíveis irregularidades na seleção para cargos técnico-administrativos em educação, que ofereceu 243 vagas e teve provas aplicadas no início de março de 2026.
Durante a operação, os agentes cumpriram 13 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. As diligências ocorreram nos bairros de Realengo, Bangu e Taquara, na Zona Oeste da capital fluminense.
Nos endereços investigados, foram apreendidos 13 celulares, dois notebooks e documentos. O material será analisado pela Polícia Federal e poderá ajudar a esclarecer como as supostas irregularidades teriam ocorrido e quem pode ter participado de uma eventual fraude.
Denúncia levantou suspeitas sobre as respostas
O caso chegou às autoridades após uma denúncia apresentada pela empresa responsável pela organização do concurso. A comunicação apontou semelhanças consideradas suspeitas nas respostas dadas por diferentes candidatos durante a prova.
Segundo a Polícia Federal, esse padrão pode indicar uma possível ação coordenada para interferir no processo seletivo e beneficiar participantes específicos. A análise dos equipamentos e documentos recolhidos deverá contribuir para verificar se as coincidências estão relacionadas a uma fraude.
Os investigadores também buscam identificar eventuais responsáveis e dimensionar o alcance das suspeitas. Os envolvidos poderão responder por fraude em concurso público e por outros crimes que eventualmente sejam identificados no decorrer das apurações.
Até o momento, porém, a investigação ainda precisa confirmar se houve irregularidades e determinar a responsabilidade individual dos possíveis envolvidos.
UFRJ diz que encaminhou denúncia à PF
Em manifestação sobre o caso, a UFRJ informou que adotou providências após tomar conhecimento das suspeitas. A universidade instaurou uma comissão de sindicância para investigar os fatos e encaminhou a denúncia à Polícia Federal.
A instituição também afirmou que os candidatos envolvidos nas suspeitas foram eliminados do concurso. De acordo com a universidade, o processo seletivo teve continuidade, com a homologação dos resultados e a nomeação de novos servidores.
A UFRJ esclareceu ainda que nenhum dos 13 mandados de busca e apreensão foi cumprido em instalações da universidade ou teve servidores da instituição como alvo. Segundo a nota, as diligências foram direcionadas a outros locais relacionados à investigação.
Ao final do comunicado, a universidade reafirmou seu compromisso com a transparência e a lisura dos concursos públicos e declarou que continuará colaborando com as autoridades responsáveis pelo caso.
Investigação busca esclarecer possível esquema
A Operação Gabarito tem como objetivo reunir e analisar provas que permitam confirmar ou descartar a hipótese de fraude no concurso da UFRJ.
O material apreendido será importante para esclarecer as circunstâncias das suspeitas e verificar se houve favorecimento de candidatos. Como as apurações continuam em andamento, a eventual responsabilização dependerá das evidências reunidas e da conclusão das autoridades competentes.
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