Um levantamento da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial) revelou o impacto das operações policiais realizadas na Baixada Fluminense entre 2020 e 2025. Segundo o estudo, as ações de segurança pública na região resultaram em 282 mortes, 652 pessoas feridas, 5.783 prisões e 41 apreensões de adolescentes.
A pesquisa analisou dados de operações realizadas nos 13 municípios da Baixada Fluminense e apontou que, apesar da redução no número de incursões em determinados períodos, houve crescimento da letalidade das ações policiais.
De acordo com a organização, a população mais afetada pelas operações é formada principalmente por jovens negros, moradores de comunidades e regiões periféricas, com baixa escolaridade e, em sua maioria, homens.
Os pesquisadores afirmam que esse grupo enfrenta maior exposição tanto aos confrontos entre grupos criminosos quanto às ações de repressão estatal.
Entre as cidades com maior número de mortes estão Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti, Nova Iguaçu e Japeri. Juntas, elas concentram cerca de 75% dos óbitos registrados no período analisado.
Duque de Caxias aparece como o município com maior número de vítimas, contabilizando 66 mortes e 160 pessoas feridas durante operações policiais.
A pesquisadora e doutoranda em Sociologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Kharine Gil, afirmou que os números podem representar uma subnotificação. Segundo ela, parte dos registros de pessoas feridas pode não ter sido acompanhada posteriormente para verificar possíveis mortes decorrentes dos confrontos.
Polícia Civil apresenta maior crescimento proporcional da letalidade
O estudo também identificou aumento da letalidade nas operações conduzidas pela Polícia Civil. Em 2024, foram registradas 336 ações, com índice de mortes de 2%. Já em 2025, mesmo com a redução para 66 operações, a taxa de letalidade chegou a 18%.
Em relação às prisões, o levantamento aponta que a Polícia Militar foi responsável por 62% das detenções registradas durante o período analisado.
Os pesquisadores também avaliaram os materiais apreendidos nas operações e questionaram a relação entre o volume das ações e os resultados obtidos. Segundo os dados, pistolas representaram a maior parte das armas recolhidas, enquanto os fuzis corresponderam a 5,5% das apreensões.
Impactos na rotina dos moradores
Além dos números de mortes, feridos e prisões, a pesquisa destaca os efeitos das operações no cotidiano das comunidades. Segundo a IDMJRacial, confrontos provocam interrupções em atividades escolares, dificuldades de deslocamento para trabalhadores e fechamento temporário de estabelecimentos comerciais.
A maior parte das operações analisadas teve como justificativa o combate ao tráfico de drogas e a remoção de barricadas instaladas por grupos criminosos. Para essa finalidade específica, foram realizadas 257 ações na Baixada Fluminense durante os cinco anos avaliados.
A organização defende que os dados sejam utilizados para ampliar o debate sobre políticas de segurança pública na região, considerando tanto o enfrentamento ao crime organizado quanto os impactos causados pelas operações nas comunidades afetadas.
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