O Rio de Janeiro ganhou de volta, neste domingo (21), um de seus espaços mais simbólicos e afetivos. Após sete anos de portas fechadas, o Mercado São José, em Laranjeiras, foi oficialmente reaberto pela Prefeitura do Rio, transformando-se novamente em um polo gastronômico e cultural da Zona Sul carioca.
Com 16 empreendimentos divididos em 11 boxes, duas lojas e três restaurantes, o espaço agora abriga desde hortifruti orgânico até cozinha árabe, confeitaria autoral, massas artesanais, café especial, sorvetes veganos e cervejas artesanais. O local funcionará de terça a domingo, das 10h às 22h, oferecendo ao público produtos frescos, petiscos e bebidas ao longo do dia.
“É um patrimônio cultural recuperado que vai movimentar a economia local. Está lindo e de volta ao seu povo”, afirmou o prefeito Eduardo Paes durante a inauguração, que contou com show de chorinho e uma edição especial da feirinha da Junta Local.
Fechado desde 2018, quando o INSS retomou judicialmente o imóvel, o mercado foi adquirido pela Prefeitura em 2023 por R$ 3 milhões. A gestão do espaço pelos próximos 25 anos será feita por um consórcio liderado pela Engeprat e com curadoria da Junta Local, selecionado após chamamento público.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, o novo Mercadinho São José simboliza como parcerias entre o setor público e a iniciativa privada podem devolver à cidade locais de memória e lazer: “O imóvel já foi muitas coisas ao longo do tempo. Agora, volta com identidade de bairro e valorização da produção local”.
A estrutura passou por uma transformação completa: além da restauração do prédio original, foram construídos um edifício anexo de três andares, com elevador, e um terraço ao ar livre. Os boxes ficam no edifício antigo, enquanto os restaurantes e bares ocupam os andares superiores do novo prédio.
O consórcio responsável também restaurou elementos históricos, como a fonte centenária de água e os azulejos com a imagem de São José, recolocados na fachada do mercado.
Para Natalia Arica, diretora de Comunidade da Junta Local, o mercado volta a ocupar seu papel social e afetivo no bairro: “Nossa ideia é que os restaurantes usem produtos dos pequenos produtores locais. Foi um processo de curadoria baseado em nossa experiência com feiras e na missão da Junta Local”.
Renata Gebara, sócia do Gebar — boteco de comida árabe que estreia no mercado — destacou a importância de empreendimentos com raízes familiares no espaço: “A curadoria está incrível. Trazemos a memória afetiva da nossa família para os pratos. A revitalização do mercado é emocionante”.
História do Mercado São José
O Mercado São José tem origens que remontam ao Império. Localizado onde funcionava uma antiga senzala e celeiro da Fazenda do Parque Guinle, foi transformado em mercado em 1944, por decisão do então presidente Getúlio Vargas, para oferecer alimentos a preços mais acessíveis durante a Segunda Guerra Mundial.
Após um longo período de decadência entre os anos 1960 e 1980, passou por revitalização em 1988 e foi tombado como Patrimônio Cultural do Rio em 1994. Desde então, tornou-se um ponto tradicional da vida boêmia carioca, até seu fechamento definitivo em 2018. Agora, o espaço renasce, equilibrando tradição, história e inovação.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro*












