Cerca de metade dos estudantes do ensino fundamental e médio das escolas públicas da região metropolitana do Rio de Janeiro vivem sob o impacto direto da violência armada. É o que revela o relatório Educação Sob Cerco: as escolas do Grande Rio impactadas pela violência armada, divulgado nesta quinta-feira, 29, pelo Unicef, Instituto Fogo Cruzado, GENI-UFF e CERES-IESP.
O estudo aponta que mais de 800 mil crianças e adolescentes, de 1.800 escolas públicas da capital e de outros 19 municípios, frequentam instituições localizadas em áreas dominadas por grupos armados, como facções criminosas e milícias.
Na cidade do Rio, 55% dos estudantes são afetados pela violência. Nos demais municípios da região metropolitana, esse índice chega a 48%. Segundo o relatório, apenas 41,6% das escolas da capital estão fora de zonas controladas por grupos criminosos.
A distribuição da violência varia entre as regiões da cidade. Na zona norte, 65% das escolas enfrentaram pelo menos um episódio de violência armada em 2022, totalizando 510 unidades afetadas. Já na zona sul, área considerada nobre, foram 29 escolas atingidas, o equivalente a 30%.
Mais de 4,4 mil tiroteios próximos a escolas em 2022
O levantamento contabilizou mais de 4.400 tiroteios ocorridos nas imediações de escolas em 2022. A zona norte concentra o maior número de casos, com 1.714 ocorrências. Na Baixada Fluminense foram registrados 1.110 tiroteios, enquanto a zona sul somou 86 episódios.
O caso mais extremo ocorreu em São Gonçalo, onde uma única escola foi impactada por 18 episódios de violência armada em um ano, média de um tiroteio a cada duas semanas.
O relatório também mostra que os tiroteios são três vezes mais frequentes em áreas dominadas por grupos armados do que em regiões sem controle territorial de facções ou milícias.
Ações recomendadas
Diante dos dados alarmantes, o relatório propõe uma série de medidas urgentes para proteger crianças e adolescentes, entre elas:
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criação e ampliação de protocolos de resiliência para escolas e comunidades;
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reparação dos danos causados pela violência em serviços públicos e na comunidade;
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integração das políticas de segurança pública com a educação, priorizando a proteção das escolas;
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implementação da Lei Ágatha Felix, que prioriza investigações de crimes contra crianças e adolescentes no estado do Rio;
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enfrentamento estratégico e com inteligência dos grupos armados;
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fortalecimento de práticas pedagógicas que ajudem a proteger estudantes da violência.
Esse é o primeiro de dois estudos. O próximo relatório deve aprofundar os impactos da violência armada no aprendizado dos alunos e nas taxas de evasão escolar.
Municípios analisados:
Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, Rio Bonito, Seropédica, São Gonçalo, São João de Meriti e Tanguá.
*Da Agência Fonte Exclusiva com nformação da Agência Brasil. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












