Uma área degradada da Baía de Guanabara passou por uma transformação em apenas três anos. Em Guapimirim, na Baixada Fluminense, mudas de espécies nativas plantadas em uma área de aproximadamente 400 metros quadrados cresceram e deram origem a um novo trecho de manguezal, com árvores que já ultrapassam três metros de altura.
A recuperação começou em 2023, com o plantio de 1.250 mudas dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim. Desde então, além do crescimento da vegetação, pesquisadores e moradores envolvidos no projeto passaram a observar o retorno de diferentes espécies de animais ao ambiente restaurado.
Segundo os responsáveis pela iniciativa, mais de 70 espécies de aves e peixes voltaram a frequentar os trechos recuperados. Os caranguejos também reapareceram na lama, um dos sinais de que o manguezal voltou a oferecer condições adequadas para a fauna.
Vegetação voltou a crescer
Para chegar à área restaurada, é preciso navegar por rios e canais que desembocam na Baía de Guanabara. O trajeto de barco leva cerca de 50 minutos.
O trabalho foi realizado pelo Projeto Meros do Brasil em parceria com a Cooperativa Manguezal Fluminense. Antes do plantio, voluntários retiraram espécies de plantas que não eram características daquele ambiente.
Na sequência, foram introduzidas espécies típicas de manguezais, como mangue-vermelho, mangue-preto e mangue-branco. As mudas, que inicialmente tinham poucos centímetros, cresceram e hoje formam uma vegetação mais densa e estruturada.
Luana Seixas, gerente do Projeto Meros do Brasil, acompanhou o processo desde o início e destaca a diferença entre o cenário encontrado no começo da recuperação e a paisagem atual.
Algumas das árvores já ultrapassam três metros de altura.
Caranguejos indicam recuperação do ambiente
O reaparecimento dos caranguejos também chama atenção no processo de restauração. Esses animais desempenham funções importantes no funcionamento dos manguezais, participando da movimentação do sedimento e da decomposição e reciclagem da matéria orgânica.
Os manguezais também servem como abrigo e área de alimentação para diversas espécies. São ambientes importantes para a reprodução e o desenvolvimento de peixes e crustáceos, além de contribuírem para a proteção do litoral, a redução dos efeitos da erosão e de tempestades e o armazenamento de carbono.
Recuperação beneficia comunidades pesqueiras
A restauração do manguezal também tem impacto direto sobre as comunidades que vivem dos recursos da região. A pesca artesanal e a captura de caranguejos são atividades que fazem parte da economia local.
Segundo Malafaia, cerca de 2 milhões de caranguejos são retirados do ecossistema todos os anos. A atividade contribui para o sustento de aproximadamente 4 mil pessoas e envolve cerca de 700 famílias que trabalham diretamente com a captura dos animais.
Pescador artesanal, Malafaia também passou a participar de ações de preservação. Para ele, a recuperação da área representa uma oportunidade de reconstruir um ambiente que sofreu com anos de degradação.
Com o avanço da vegetação e o retorno de espécies, moradores e trabalhadores da região também alimentam a expectativa de que outros animais voltem a ocupar a Baía de Guanabara.
Entre os desejos estão o reaparecimento de espécies como os meros e até mesmo o retorno de baleias à região. A recuperação do manguezal é considerada uma das etapas para melhorar as condições ambientais de um ecossistema importante tanto para a biodiversidade quanto para as comunidades que dependem de seus recursos.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.












