Um livro infantil narrado sob a perspectiva de uma criança de 7 anos tem chamado atenção ao tratar, de forma sensível, o cotidiano de quem convive com autismo e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
A obra, intitulada “Uma Mente Borbulhante”, será lançada neste sábado (11) na Livraria Janela, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
O livro foi escrito por Noah Faria, com apoio de sua mãe, Renata Formoso, e publicado pela HarperKids. A obra reúne episódios do dia a dia da criança em casa, na escola e em interações sociais, abordando desafios e descobertas ligados à neurodiversidade.

No relato, Noah descreve de maneira simples como percebe o próprio funcionamento mental, afirmando que seu pensamento é tão acelerado que, muitas vezes, não consegue acompanhar.
Ele também compartilha dificuldades relacionadas à rotina, como alimentação, higiene e atividades físicas, ao mesmo tempo em que destaca habilidades em áreas como matemática, música e ciências.
Diagnosticado com autismo aos 5 anos e com TDAH no ano seguinte, o autor também relata experiências de exclusão no ambiente escolar.
Em seu depoimento, menciona ter sido chamado de “estranho” por colegas em alguns momentos, mas reforça a importância do apoio de amizades que o acolhem e participam de suas atividades.
A mãe do menino conta que a ideia do livro surgiu de forma espontânea, a partir de conversas sobre o diagnóstico e de momentos criativos entre os dois. Segundo ela, a proposta sempre foi transformar vivências pessoais em uma ferramenta de conscientização sobre inclusão e respeito às diferenças.

Renata também relata os desafios da rotina com uma criança neurodivergente, destacando situações ligadas à alimentação, sono e atividades diárias, além de julgamentos sociais.
Ainda assim, ela afirma que cada avanço do filho, mesmo os mais simples, representa uma grande conquista para a família.
A obra é narrada em primeira pessoa, o que aproxima o leitor da experiência subjetiva de uma criança neurodivergente.
A proposta é apresentar, de forma leve e educativa, o conceito de uma “mente borbulhante”, incentivando empatia e compreensão no ambiente escolar e na sociedade.
O projeto também se destaca pelo compromisso com a representatividade, reunindo uma equipe de produção composta por profissionais neurodivergentes, incluindo ilustrador, diagramador e revisor.
Segundo a família, a escolha reforça o objetivo de construir uma obra mais inclusiva e alinhada à diversidade.
Com isso, “Uma Mente Borbulhante” se consolida não apenas como um relato pessoal, mas como uma iniciativa de conscientização sobre neurodiversidade e inclusão infantil.
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