Um levantamento recente do Ministério Público de São Paulo acendeu um alerta sobre o nível de letalidade das ações policiais no estado ao longo de 2025.
Informações do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública (Gaesp), responsável pelo controle externo da atividade policial, apontam que policiais militares em serviço mataram ao menos 663 pessoas até o dia 19 de dezembro.
O número parcial já supera o total registrado em todo o ano de 2024, quando foram contabilizadas 653 mortes decorrentes de intervenções da Polícia Militar. Ao longo de 2025, a escalada da violência letal manteve ritmo elevado, com destaque para os meses de outubro e novembro, que somaram juntos 171 ocorrências.
Os dados ampliam o debate sobre a política de segurança pública adotada durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas.
A recorrência de episódios envolvendo mortes em ações policiais tem gerado críticas de especialistas e entidades, que cobram revisão de protocolos, aprimoramento do treinamento e maior controle sobre o uso da força.
A análise detalhada de parte dos registros traz informações consideradas ainda mais sensíveis. Entre 246 casos avaliados com maior profundidade, 85 vítimas estavam desarmadas no momento em que foram mortas. Em aproximadamente 66% dessas ocorrências, apenas os policiais efetuaram disparos, sem indícios de confronto armado.
Outro recorte do levantamento, que analisou minuciosamente 143 episódios, mostra que 47 pessoas foram atingidas pelas costas, enquanto 38 sofreram disparos na região da cabeça ou do pescoço. Os dados reforçam questionamentos sobre as circunstâncias das abordagens e a proporcionalidade das ações policiais.
Os números aumentam a pressão por mais transparência, investigações rigorosas e revisão das práticas operacionais das forças de segurança, em meio ao debate nacional sobre segurança pública, direitos humanos e o papel do Estado no enfrentamento da violência.
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