Um homem apontado como um dos responsáveis pela invasão ao Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, foi encontrado morto na noite de sexta-feira (19). Pelo menos outros sete criminosos participaram da ação, realizada na madrugada de quinta-feira (18).
Segundo a Polícia Civil, o grupo miliciano decidiu executar o próprio integrante por temer um confronto com as autoridades. “A Polícia Civil já havia identificado o criminoso. As diligências da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Baixada Fluminense (DRFA-BF) estavam no encalço do grupo, que, diante da iminência da prisão, decidiu executar um de seus integrantes, na tentativa de evitar um confronto com a polícia”, declarou o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
O corpo, com diversos disparos de arma de fogo, foi localizado na Estrada da Paciência, Zona Oeste do Rio, ao lado de um colete da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), provavelmente falsificado e usado na invasão. A Delegacia de Homicídios realizou perícia no local e investiga os demais envolvidos.
A invasão
Na madrugada de quinta-feira, oito homens armados com fuzis invadiram o centro cirúrgico do hospital em busca de Lucas Fernandes de Sousa, de 31 anos, baleado na tarde anterior em uma emboscada. Lucas já foi preso por extorsão em 2019 e respondia ao processo em liberdade.
As câmeras de segurança registraram o momento em que dois carros chegaram à portaria às 2h37. Um dos homens desceu encapuzado, vestindo colete com a inscrição da Draco, e circulou pelos corredores do hospital, que tinha mais de 300 pacientes internados, incluindo oito mulheres em trabalho de parto. “Hospital de alta complexidade onde oito gestantes estavam dando à luz. Pessoas em trabalho de parto. Crianças. Pacientes no centro cirúrgico sendo tratados. Pânico no hospital”, relatou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.
Os criminosos não localizaram Lucas, que havia sido transferido para a enfermaria após a cirurgia, e deixaram o hospital. Pela manhã, ele foi escoltado pela polícia para outra unidade.
Reforço policial e investigação
A Polícia Militar reforçou o policiamento no entorno do hospital. Secretário Marcelo de Menezes destacou a rapidez da resposta das equipes. A Polícia Civil identificou o miliciano que teria coordenado a invasão e atirado contra Lucas no dia anterior, com mais de 20 anotações criminais, incluindo porte de arma, extorsão e clonagem de veículos. Até o momento, não se confirmou se o homem encontrado morto é esse miliciano.
A invasão ao Hospital Pedro II não é um caso isolado. Pelo menos cinco outras unidades de saúde no Rio de Janeiro já sofreram ataques semelhantes. A polícia continua investigando para capturar os demais envolvidos na invasão e na execução do miliciano.
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