Uma investigação da Polícia Civil terminou com a prisão de um homem suspeito de exercer ilegalmente a medicina durante atendimentos domiciliares em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo os investigadores, ele teria se apresentado como médico utilizando a identidade e o registro profissional de outro especialista.
O suspeito, identificado como Diogo dos Santos Serpa, foi detido na quinta-feira (6), enquanto realizava uma consulta na residência de uma menina de 10 anos que está em tratamento contra um meduloblastoma grau IV.
A apuração é conduzida pela 63ª Delegacia de Polícia (Japeri). Conforme as informações divulgadas pelas autoridades, o homem teria utilizado o nome e o registro profissional do médico Jeferson Targino Sampaio para atender a família da paciente.
Os atendimentos teriam começado em outubro de 2025, por meio de um serviço de home care. Desde então, o suspeito teria comparecido à residência da criança pelo menos seis vezes para realizar consultas e acompanhar o tratamento.
Suspeita começou após mãe encontrar divergências
A investigação teve início depois que a mãe da menina percebeu inconsistências nos documentos apresentados durante os atendimentos. Ao verificar o registro profissional informado pelo suposto médico, ela encontrou uma fotografia que não correspondia à pessoa que estava acompanhando sua filha.
Diante da suspeita, a mulher procurou a Polícia Civil e comunicou às autoridades as divergências encontradas. A partir da denúncia, os investigadores passaram a acompanhar a movimentação do suspeito.
A prisão ocorreu durante uma nova visita à residência da paciente. Os agentes realizaram a abordagem enquanto o homem prestava atendimento à criança.
Materiais médicos foram apreendidos
Durante a operação, os policiais encontraram diversos materiais que, segundo a investigação, poderiam ser utilizados para dar aparência de legitimidade à atuação profissional.
Entre os itens apreendidos estavam um carimbo, receituários de controle especial vinculados ao profissional cuja identidade teria sido utilizada, documentos em nome de outro médico e blocos de prescrições com identificação profissional.
Os investigadores também apuram a suspeita de que o homem tenha realizado prescrições de medicamentos, solicitado exames e elaborado encaminhamentos durante o período em que acompanhou a paciente.
Polícia apura possível existência de outras vítimas
Após a prisão, a Polícia Civil passou a investigar se o suspeito teria realizado atendimentos semelhantes a outras pessoas. A apuração também busca esclarecer como ele teria conseguido acesso aos documentos e materiais utilizados durante as consultas.
Outra questão investigada é a informação de que o suspeito seria estudante de medicina. As autoridades deverão verificar sua formação e eventual vínculo com instituições de ensino ou serviços de saúde.
Diogo dos Santos Serpa foi indiciado por exercício ilegal da medicina com fins lucrativos, uso de documento particular falso, falsa identidade, tentativa de estelionato e perigo para a vida ou a saúde de outra pessoa.
O caso segue sob investigação, especialmente para determinar a extensão da suposta atuação profissional irregular e identificar possíveis outras pessoas que tenham sido atendidas pelo suspeito.
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