Um levantamento conjunto realizado pela Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) revelou um dado alarmante: 80% dos provedores de internet que atuam nas favelas da capital fluminense estão sob controle ou são associados ao crime organizado.
A investigação mapeou centenas de empresas que prestam serviços de internet em áreas dominadas por facções criminosas e milicianos. As informações foram obtidas por meio de denúncias recebidas pelo Disque-Denúncia e pela Ouvidoria da Secretaria, cruzadas com dados da Anatel.
O resultado foi um mapa detalhado que mostra a dominação digital dos territórios, onde traficantes e milicianos não apenas controlam o território físico, mas também exploram financeiramente o acesso à internet, expulsando empresas legalizadas e forçando moradores a contratar serviços operados por grupos criminosos.
Segundo os dados da Anatel, hoje existem 638 prestadoras de serviço de internet somente na cidade do Rio — das quais 305 possuem outorga e 333 atuavam sob dispensa de autorização, o que antes era permitido para pequenos provedores com até 5 mil acessos. Essa brecha foi usada por criminosos para criar empresas de fachada.
Como resposta, a Anatel publicou uma nova regra que suspende o artigo que dispensava a outorga para esses pequenos provedores. Agora, todos devem solicitar autorização formal até 25 de outubro de 2025, sob pena de terem seus cadastros extintos e os serviços suspensos.
A medida visa frear o avanço da criminalidade sobre um dos serviços essenciais do cotidiano moderno: a conectividade. No entanto, especialistas alertam que a efetividade da mudança dependerá da fiscalização e da atuação conjunta entre as esferas federal, estadual e municipal.
*Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











