Cerca de 800 mil estudantes de escolas públicas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro viveram, em 2022, sob o impacto direto da violência armada causada por facções criminosas e milícias. O dado alarmante está no relatório Educação Sob Cerco: as escolas do Grande Rio impactadas pela violência armada, lançado nesta quinta-feira (29) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com o Instituto Fogo Cruzado, o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Centro para o Estudo da Riqueza e da Estratificação Social.
Segundo o estudo, 46% das escolas públicas da capital fluminense e de outros 19 municípios da região metropolitana registraram ao menos um tiroteio em sua vizinhança ao longo do ano. Isso representa quase 1,7 mil unidades escolares, sendo a maioria concentrada na zona Norte e na Baixada Fluminense.
“Estamos falando de uma violência crônica, cotidiana, que compromete não só o acesso aos serviços educacionais, mas o próprio desenvolvimento psicológico e emocional das crianças e adolescentes”, afirmou Flávia Antunes, chefe do Unicef no Rio.
Desigualdades regionais acentuadas
O relatório revela disparidades regionais marcantes. Enquanto na zona Sul apenas 27% das escolas públicas estão localizadas em áreas sob controle de milícias ou facções criminosas, na zona Oeste esse percentual chega a quase 70%.
No quesito número de tiroteios, a zona Norte lidera com 510 escolas afetadas, contra apenas 29 na zona Sul.
“Seja sob o domínio de criminosos ou sob a presença ostensiva de agentes do Estado, a convivência com armas de fogo é um estressor tóxico que compromete seriamente o aprendizado e a saúde mental dos estudantes”, destacou Antunes.
Propostas para enfrentar o problema
O relatório apresenta sete recomendações destinadas ao poder público, com foco na prevenção e mitigação dos efeitos da violência sobre crianças e adolescentes. Entre elas, está a necessidade de:
-
Reparação com apoio psicossocial às comunidades escolares afetadas;
-
Investimentos estruturantes em áreas mais atingidas;
-
Justiça e acolhimento às vítimas de violência;
-
Coordenação entre as políticas de segurança pública e educação.
“É essencial que segurança e educação dialoguem. Só assim será possível garantir que as escolas sejam, de fato, espaços protegidos”, concluiu Flávia Antunes.
Este é o primeiro de dois relatórios produzidos sobre o tema. A próxima etapa irá abordar os efeitos da violência armada sobre o aprendizado e a evasão escolar.
📺 Assista ao vídeo da reportagem exibida no programa Direto da Redação
*Da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











