A decisão do STF que autorizou a transformação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) em Polícia Metropolitana, com poder de policiamento ostensivo e porte de armas letais, não é consenso entre especialistas.
Em debate no programa Direto da Redação nesta terça-feira (25), o cientista político Marcos San, do Rio de Janeiro, criticou duramente a medida, classificando-a como “um risco que ignora as raízes da violência urbana”.
San, referindo-se ao contexto carioca, destacou:
“Criar mais uma instituição armada não resolve a insegurança. Pelo contrário: abre espaço para novos grupos com potencial bélico, vulneráveis a se tornarem núcleos de chantagem, como já vimos com ambulantes e pequenos comerciantes extorquidos por milicianos e agentes dos municípios. O Rio é um território fértil para fenômenos perversos, como as narcomilicias. Armamento sem controle é combustível para essa engrenagem.”
O especialista lembrou ainda que o Rio de Janeiro é uma cidade atípica no quesito segurança pública e citou a aliança entre traficantes e milicianos já domina partes da cidade:
“Aqui, o crime se alimenta da fragilidade do Estado. Injetar mais armas sem um projeto claro de inteligência e fiscalização é repetir erros do passado. Portanto, criar mais um braço armado não resolve o problema da segurança pública.”
O lado econômico da discussão
O economista Wilson Souza, de Brasília, reforçou as preocupações:
“A medida parece uma resposta rápida à pressão por segurança, mas não aborda problemas estruturais, como a falta de investimento em políticas sociais. Transformar guardas em polícia exige orçamento para treinamento, transparência e mecanismos anticorrupção, algo que ainda não está claro.”
A resposta das Prefeituras
Apesar das críticas, as prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro defendem a mudança. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou que a Polícia Metropolitana vai “ocupar espaços onde a PM não chega”.
Já Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, argumentou que a integração de dados com o sistema estadual evitará abusos.
Movimentos sociais reagem
Coletivos de direitos humanos alertam para o risco de violência institucional. “Armar a GCM no Rio, onde milícias controlam até o gás de cozinha, é como entregar uma faca afiada a um lobo faminto”, disse Carla Dias, da ONG Rio Seguro.
O que diz a lei?
- A Polícia Metropolitana poderá fazer prisões em flagrante e revistas, mas não investigará crimes.
- O STF autorizou o policiamento ostensivo, porém a regulamentação sobre o uso de armas letais ficará a cargo de cada município.
*Da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











