A celebração de Corpus Christi no Rio de Janeiro apresentou uma novidade em 2026 ao unir tradição religiosa, sustentabilidade e inclusão social.
Pela primeira vez, os tradicionais tapetes expostos no Santuário Cristo Redentor foram confeccionados com a técnica do patchwork, utilizando retalhos de tecidos reaproveitados para criar grandes painéis coloridos com símbolos da fé católica.
Além de ornamentar as cerimônias realizadas no alto do Corcovado, as obras terão vida útil prolongada. Após as celebrações, os tapetes serão preservados e farão parte de futuras exposições, que ainda terão datas e locais divulgados pelos organizadores.
A tradição dos tapetes de Corpus Christi existe há séculos e surgiu como forma de homenagear a passagem do Santíssimo Sacramento durante as procissões.
Neste ano, a iniciativa ganhou uma dimensão social ao envolver mulheres em situação de vulnerabilidade atendidas por projetos do Consórcio Cristo Sustentável.

Participaram da ação moradoras de bairros e municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, incluindo São Gonçalo, Nova Iguaçu, Seropédica, Rocinha, Cidade de Deus, Madureira, Irajá, Santa Teresa, Horto e Rio das Pedras. Durante dois meses, elas participaram de 25 oficinas de capacitação e produção artesanal.
Mais de 300 quilos de tecidos arrecadados por meio de campanhas de doação e parcerias foram transformados em painéis religiosos.
A montagem final aconteceu durante a madrugada de Corpus Christi, preparando o cenário para a tradicional celebração conduzida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, que presidiu a Adoração e a Bênção do Santíssimo Sacramento.
A proposta dá continuidade às iniciativas sustentáveis promovidas pelo Cristo Redentor nos últimos anos. Em 2024, os tapetes foram produzidos com materiais orgânicos como borra de café, serragem, sal e cascas de ovos, posteriormente destinados à compostagem.
Já em 2025, cerca de 460 quilos de tampinhas plásticas recicladas deram origem aos painéis, que depois foram transformados em bancos fabricados com madeira plástica.
Uma das participantes do projeto, a artesã Maria Luíza dos Santos Souza, destacou a emoção de colaborar com uma iniciativa que uniu arte, fé e trabalho coletivo.
Segundo ela, a utilização do patchwork em tapetes de Corpus Christi representa uma inovação capaz de valorizar a criatividade e fortalecer o sentimento de comunidade.
Entre as imagens produzidas, Maria Luíza revelou especial admiração pelos painéis dedicados a Santa Dulce dos Pobres e Nossa Senhora Aparecida, símbolos de devoção para milhões de brasileiros.
Para os organizadores, a iniciativa demonstra que práticas sustentáveis podem caminhar lado a lado com manifestações religiosas tradicionais. O objetivo é incentivar a reutilização de materiais, promover inclusão social e reforçar valores de solidariedade, preservação ambiental e cidadania.
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