A violência provocada por disputas territoriais entre grupos criminosos e milícias aumentou na Região Metropolitana do Rio de Janeiro durante julho.
Levantamento do Instituto Fogo Cruzado aponta que foram registrados 34 tiroteios relacionados a confrontos entre organizações armadas, o maior número contabilizado pela instituição em 2026.
O total representa mais que o dobro dos 16 episódios registrados em junho. Considerando os 31 dias de julho, a média ficou próxima de um confronto por dia.
A cidade do Rio de Janeiro concentrou 73% das ocorrências identificadas pelo levantamento. Na Zona Norte, os bairros de Cordovil, Brás de Pina e Vigário Geral estiveram entre os locais mais afetados. Nessas áreas, foram registrados confrontos durante 12 dias seguidos.
Grande Tijuca também registra impactos
A violência armada também atingiu diferentes pontos da Grande Tijuca. O Instituto Fogo Cruzado destacou ocorrências em bairros como Andaraí, Tijuca e Vila Isabel.
Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio, avalia que a frequência dos confrontos demonstra a necessidade de mudanças nas estratégias utilizadas para enfrentar as organizações criminosas.
Na avaliação do coordenador, ações baseadas em investigação e inteligência podem contribuir para reduzir a exposição de moradores e agentes de segurança aos confrontos.
Ele também defende que as forças públicas atuem sobre as estruturas que permitem o funcionamento das organizações, incluindo os mecanismos financeiros e logísticos utilizados pelos grupos.
Segundo Nhanga, sem medidas voltadas para essas estruturas, as disputas entre facções e milícias continuam produzindo impactos na vida cotidiana da população.
85 pessoas foram baleadas em julho
Os confrontos registrados no mês resultaram em 85 pessoas baleadas na Região Metropolitana do Rio. Segundo o levantamento, 32 vítimas morreram e outras 53 ficaram feridas.
Na comparação com julho de 2025, houve crescimento de 39% no número total de pessoas atingidas por disparos. No mesmo período do ano passado, foram contabilizadas 61 vítimas, sendo 27 mortes e 34 feridos.
Entre os profissionais de segurança, sete agentes foram baleados durante julho na Região Metropolitana. Três deles não resistiram aos ferimentos.
Os dados do Instituto Fogo Cruzado evidenciam o impacto da disputa por territórios entre facções criminosas e milícias sobre diferentes setores da população.
Além das pessoas diretamente envolvidas nos confrontos, moradores de áreas afetadas e profissionais de segurança permanecem expostos aos riscos provocados pela circulação e pelo uso de armas de fogo.
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