A Caravana África Diversa desembarca no Rio de Janeiro entre os dias 22 e 27, trazendo uma programação que reúne artistas, estudiosos e representantes de tradições culturais do Brasil e da França. O evento promove debates, oficinas e apresentações voltadas às artes cênicas e aos conhecimentos ancestrais, integrando as celebrações pelos 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países e os 20 anos da primeira Temporada Brasileira na França. As atividades ocuparão diferentes espaços da capital fluminense, como o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan), os teatros Cacilda Becker e Dulcina, a BiblioMaison e o Museu de Arte do Rio.
Depois de iniciar sua circulação em Nantes, na França, no começo de novembro, a Caravana chega ao Rio com a proposta de dialogar diretamente com as matrizes africanas que moldam a identidade da cidade. Para a idealizadora e curadora Daniele Ramalho, a iniciativa busca ocupar tanto equipamentos culturais quanto territórios populares, ampliando o alcance das ações e fortalecendo vínculos com comunidades que mantêm vivas tradições afro-brasileiras.

Entre as convidadas está a Capitã Pedrina, guardiã do Reinado de Nossa Senhora do Rosário e figura central na preservação e transmissão de saberes ancestrais. A curadoria destaca também a presença e a importância de outras mulheres reconhecidas como mestras, reforçando o protagonismo feminino dentro das práticas culturais africanas e afro-brasileiras. Pedrina, que participou de atividades na França em 2005, considera a Caravana uma iniciativa que fortalece identidades e amplia o olhar sobre modos tradicionais de viver.
Outro nome celebrado é o da Rainha Konga Ana Luzia de Moraes, representante do Massambique de Nossa Senhora das Mercês. Ela integrou a etapa francesa e recentemente teve papel essencial no reconhecimento nacional dos Saberes do Rosário como Patrimônio Cultural Imaterial. Embora não participe da fase carioca, seu trabalho é apontado como exemplo de resistência e mobilização comunitária.
A programação também contará com o artista e pesquisador Benjamin Abras, que apresentará três performances descritas por ele como “oferendas”. Entre elas está um solo de afro butô, linguagem que combina referências do butô japonês com matrizes afro-diaspóricas. Para Abras, a Caravana cria um espaço de encontro entre diferentes tradições, aproximando griôs africanos, mestres brasileiros e artistas contemporâneos em uma dinâmica de troca e reconhecimento.
Idealizado por Daniele Ramalho após vivências de pesquisa em Burkina Faso e Benin no início dos anos 2000, o projeto passou de festival a caravana, ampliando seu foco na circulação de conhecimentos e na valorização da oralidade, da espiritualidade e das expressões culturais tradicionais. A edição de 2025 tem apoio do Ministério da Cultura e da Petrobras e integra a programação oficial do Ano do Brasil na França e da França no Brasil. Ao final do percurso, todas as atividades serão reunidas em uma revista especial para distribuição ao público, consolidando o legado desta conexão cultural entre Brasil, França e África.
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