Uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (CGE-RJ) identificou indícios de irregularidades envolvendo servidores comissionados em todos os 77 órgãos da administração estadual, segundo relatório divulgado na última semana.
O levantamento aponta a existência de funcionários classificados como “alta criticidade”, categoria técnica usada para sinalizar possíveis casos de baixa ou inexistente atividade funcional.
A auditoria teve início em março e utilizou cruzamento de diferentes bases de dados administrativas, como registros de acesso a prédios públicos por catracas, utilização de computadores institucionais e movimentações no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). A ausência recorrente desses registros foi um dos principais indicadores analisados.
De acordo com o relatório, mais de 4,2 mil servidores comissionados foram exonerados ao longo do processo de revisão até junho, o que representaria uma economia estimada em cerca de R$ 230 milhões até o fim do ano. Após a divulgação dos resultados, novas exonerações também foram registradas em diferentes áreas do governo estadual.
Entre os órgãos avaliados, a auditoria aponta maiores índices de criticidade em algumas secretarias. A Secretaria de Trabalho e Renda aparece com 78% dos comissionados enquadrados nessa categoria, seguida pela Secretaria de Esporte e Lazer (75%) e pela Secretaria de Turismo (73%), segundo os dados consolidados.
A CGE destaca que a metodologia utilizada busca identificar inconsistências entre a presença formal de servidores e evidências objetivas de exercício de função, sem que isso represente, por si só, conclusão definitiva sobre irregularidades individuais, que ainda podem ser objeto de apuração específica.
O relatório também cita relatos coletados em reportagens locais envolvendo ex-servidores, que mencionam rotinas de trabalho pouco definidas ou atividades externas sem registro formal detalhado. Em alguns casos, há afirmações de que não haveria exigência de formação específica para determinadas funções comissionadas.
Além disso, o documento menciona possíveis vínculos políticos e indicações para ocupação de cargos em estruturas administrativas, apontando situações em que servidores estariam associados a grupos políticos locais, com base em informações reunidas pela auditoria e repercussões jornalísticas.
A CGE informou que o objetivo do trabalho é reforçar mecanismos de controle interno e ampliar a transparência na gestão pública, com foco na verificação da efetividade da força de trabalho no serviço público estadual. O governo do estado ainda não apresentou posicionamento consolidado sobre as conclusões do relatório até o momento da divulgação.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












