Os hospitais da rede municipal do Rio de Janeiro registraram em 2025 um aumento significativo de atendimentos a vítimas de armas de fogo, totalizando 1.836 pessoas baleadas, um crescimento de 66,3% em relação aos 1.104 casos de 2024, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde.
O levantamento indica que homens representam 83,7% das vítimas e que 60% têm entre 20 e 39 anos, mostrando que a violência atinge predominantemente a população jovem adulta.
O relatório também destacou o aumento de casos entre crianças e idosos. Foram atendidas 53 crianças com menos de 11 anos, enquanto o número de idosos baleados mais que dobrou, passando de 49 para 111, um crescimento de 126%.
Entre os hospitais municipais, o Albert Schweitzer, em Realengo, liderou o ranking de atendimentos com 446 casos, seguido pelo Salgado Filho, no Méier, com 254, e pelo Souza Aguiar, no Centro, com 177 atendimentos.
Segundo o neurologista Thiago de Albuquerque Cursino, chefe de equipe do Albert Schweitzer, “perfuração por arma de fogo é uma tragédia para o paciente e a família”, e o hospital atende pacientes de diversas comunidades, como Realengo, Bangu e Padre Miguel, o que explica o alto volume diário de casos.
O impacto financeiro também é significativo: o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, informou que foram gastos R$ 21 milhões em atendimentos a baleados em 2025, valor suficiente para construir quatro Clínicas da Família ou reformar hospitais, destacando que os recursos destinados a emergências reduzem investimentos em prevenção e ampliação de serviços de saúde.
Apesar do aumento nos hospitais municipais, a Secretaria de Segurança Pública do Estado registrou redução no número de vítimas por armas de fogo em âmbito estadual, de 5.070 em 2024 para 4.959 em 2025, queda de 2%.
A pasta reforçou que mantém operações policiais, policiamento ostensivo e ações investigativas, mas os hospitais municipais continuam sobrecarregados diante da violência armada, que afeta principalmente jovens, mas não poupa crianças e idosos.
O cenário evidencia um problema multifacetado, combinando necessidade de políticas de segurança mais eficazes, ações de prevenção social e suporte hospitalar, mostrando que os efeitos da violência repercutem tanto na saúde pública quanto na economia do sistema de saúde.
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