O céu do Rio de Janeiro ganhou cores vibrantes com a reintrodução das araras-canindés, espécie considerada extinta na capital fluminense. No início de janeiro, a ONG Refauna, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), soltou três fêmeas — batizadas de Fernanda, Suely e Fátima — no Parque Nacional da Tijuca. Esta é a primeira soltura da espécie na cidade.
As aves vieram do Refúgio das Aves, em Aparecida (SP), onde são reabilitadas sem comportamentos de domesticação. Um macho, chamado Selton, ainda não pôde ser solto devido a uma infecção pulmonar e deverá se juntar ao próximo grupo de araras, previsto para março, com liberação entre agosto e setembro.
Treinamento e aclimatação
As araras permaneceram desde junho de 2025 em um recinto de 20 metros dentro da floresta para se acostumarem ao ambiente natural, aprendendo a voar e buscar alimentos como jabuticabas em plataformas suspensas.
Lara Renzeti, bióloga do Refauna e coordenadora da reintrodução, explica que “elas não podem ser alimentadas à mão; precisam voar até a comida e manter distância de pessoas”. Após a soltura, o monitoramento continua, podendo haver recaptura caso seja necessário.
Participação da população
O público pode colaborar com a observação das aves por meio do Instagram e WhatsApp do Refauna, ou pelo aplicativo SISS-Geo, desenvolvido pela Fiocruz, fortalecendo o monitoramento participativo.
Educação ambiental e apoio do parque
O ICMBio destaca a importância da educação ambiental. Guias de turismo são capacitados para orientar visitantes sobre comportamento adequado com as aves, evitando contato direto ou alimentação. A infraestrutura do parque também apoia o projeto, com viveiros e possíveis locais de nidificação.
Objetivo do projeto
O Refauna planeja soltar 50 araras-canindés em cinco anos, com cerca de dez aves liberadas anualmente. A espécie não está globalmente ameaçada, mas é considerada extinta no Rio de Janeiro. A iniciativa integra esforços para combater a defaunação, fenômeno que prejudica a dispersão de sementes e a regeneração da Mata Atlântica.
Dados do IBGE de 2023 indicam que 43% das espécies ameaçadas de extinção no Brasil são exclusivas desse bioma.
Desde 2010, a ONG já reintroduziu outras espécies no Parque Nacional da Tijuca, como cutia-vermelha, jabuti-tinga e bugio-ruivo, além de anta em outras reservas fluminenses, mostrando que a conservação planejada pode devolver biodiversidade às áreas protegidas.
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