As apreensões de medicamentos emagrecedores no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, aumentaram 118% em 2026, na comparação com o ano anterior. O levantamento da Polícia Federal revela o avanço do transporte irregular de produtos injetáveis, muitos deles sem registro ou sem a documentação exigida pelas autoridades sanitárias.
Em 2025, os agentes federais apreenderam 794 ampolas durante seis operações realizadas no terminal aéreo do Rio de Janeiro. Seis pessoas foram presas naquele período. Em 2026, o total chegou a 1.734 unidades, sendo 1.665 relacionadas a medicamentos para emagrecimento e 69 a substâncias anabolizantes. O número de detidos também triplicou, alcançando 18 prisões.
Segundo os dados divulgados pela PF, aproximadamente 90% do material recolhido no Galeão chega ao Rio em voos procedentes de Foz do Iguaçu, no Paraná. Após as apreensões, os produtos são encaminhados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária para análise e adoção das providências administrativas necessárias.
Uma das maiores ocorrências recentes foi registrada no dia 23 de julho. Um homem e uma mulher foram presos em flagrante após desembarcarem de um voo procedente de Foz do Iguaçu com cerca de 273 ampolas de tirzepatida nas bagagens. De acordo com a Polícia Federal, os passageiros não apresentaram a documentação exigida para a importação regular dos medicamentos.
Dois dias depois, uma nova fiscalização encontrou 12 frascos de medicamentos utilizados para emagrecimento na bagagem de outro passageiro. O homem também havia embarcado em Foz do Iguaçu e seguiria para Vitória, no Espírito Santo. Ele e os produtos foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal no Rio.
O crescimento não está restrito ao Galeão. Levantamento nacional atribuído à PF aponta que, até junho, foram recolhidas 165.589 unidades de emagrecedores, entre canetas, ampolas e frascos, alta de 172% em relação ao período anterior.
A Anvisa alerta que medicamentos irregulares não oferecem garantia quanto à composição, pureza, qualidade ou conservação. Produtos transportados sem controle de temperatura também podem perder a eficácia e apresentar riscos de contaminação. A agência e a Polícia Federal passaram a realizar análises conjuntas das substâncias apreendidas para verificar o conteúdo e auxiliar as investigações sobre as redes de distribuição clandestina.
Medicamentos emagrecedores regularizados no Brasil devem ser adquiridos em estabelecimentos autorizados e utilizados com acompanhamento profissional. Os agonistas de GLP-1 estão sujeitos à prescrição médica com retenção da receita, enquanto produtos proibidos ou sem registro não podem ser importados, distribuídos ou comercializados no país.
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