Nos últimos oito anos, ao menos 700 crianças e adolescentes foram baleados na região metropolitana do Rio de Janeiro. Entre as vítimas, 311 morreram e 389 ficaram feridas. Adolescentes de 12 a 17 anos representam a maioria, totalizando 528 casos, sendo 265 fatais.
Já entre crianças de 0 a 11 anos, 46 morreram e 126 ficaram feridas. Os dados são do Instituto Fogo Cruzado, que iniciou a série histórica em 5 de julho de 2016.
A vítima mais recente, Fábio Freitas Corrêa, de 17 anos, foi morto a tiros durante um ataque de milicianos no Jardim Bangu, Zona Oeste do Rio, na terça-feira (05). Ele foi alvejado enquanto ia comprar refrigerante para a família.
Violência sistêmica contra jovens
“A história do Rio de Janeiro carrega a dor de crianças e adolescentes mortos e feridos pela violência. Esses não são casos isolados”, afirma Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado. “A sociedade precisa se indignar, precisa se importar.”

Os dados revelam um padrão alarmante:
- 2016 a 2025: 700 crianças e adolescentes baleados
- 2016: 5 crianças e 22 adolescentes atingidos
- 2017: 19 crianças e 112 adolescentes baleados
- 2023: 25 crianças e 45 adolescentes baleados
- 2025 (até fevereiro): 2 crianças e 5 adolescentes atingidos
Operações policiais: principal causa
Ao menos 317 crianças e adolescentes foram baleados durante operações policiais nos últimos oito anos, representando 45% dos casos. Entre eles, 129 morreram e 188 ficaram feridos.
Um dos casos mais emblemáticos é o de João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, morto dentro de casa durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em 2020. A casa onde ele estava foi atingida por 72 disparos.
“Quase metade das crianças e adolescentes foram baleados durante ações policiais. Isso não deveria ser normalizado”, reforça Nhanga.

Outras causas da violência
- Disputas entre grupos armados: 58 vítimas (25 fatais)
- Balas perdidas: 225 vítimas (60 fatais)
- Baleados dentro de casa: 69 casos (41 fatais)
- Baleados dentro de escolas: 12 casos, com uma morte
Futuro exterminado: plataforma de monitoramento
Em 2023, o Instituto Fogo Cruzado lançou a plataforma Futuro Exterminado, um mapa interativo que documenta os 700 casos registrados na região metropolitana do Rio. O objetivo é expandir o levantamento para Recife, Salvador e Belém.
Regiões mais afetadas
A distribuição da violência armada no Grande Rio é desigual:
- Leste Metropolitano: 95 mortos e 135 feridos
- Zona Norte: 84 mortos e 91 feridos
- Baixada Fluminense: 76 mortos e 81 feridos
- Zona Oeste: 39 mortos e 49 feridos
- Centro: 14 mortos e 12 feridos
- Zona Sul: 3 mortos e 21 feridos
Sobre o Instituto Fogo Cruzado
O Fogo Cruzado é um instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos sobre violência armada. Atua no Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém, com mais de 50 indicadores inéditos sobre violência urbana.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações do Instituto Fogo Cruzado. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












