O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a condenação do parque de diversões Hopi Hari ao pagamento de R$ 60 mil em indenização a uma jovem que perdeu o rim direito após sofrer um acidente em uma atração de terror.
A decisão foi confirmada pela 31ª Câmara de Direito Privado, que rejeitou, na segunda-feira (21), os embargos de declaração apresentados pela empresa.
O acidente aconteceu em 16 de novembro de 2023, quando a vítima tinha 15 anos e participava de uma excursão escolar no parque, localizado em Vinhedo, no interior paulista. Moradora de Mauá, na Grande São Paulo, a adolescente visitava a atração Casa dos Monstros, durante o evento temático Hora do Horror.
Segundo o processo, a jovem foi surpreendida e perseguida por um funcionário caracterizado como monstro. Assustada, tentou fugir pelo ambiente de pouca iluminação, mas acabou caindo e atingindo violentamente o lado direito do corpo contra uma estrutura rígida.
A adolescente recebeu os primeiros atendimentos no ambulatório do parque e foi encaminhada a um hospital. Os exames identificaram uma grave laceração no rim direito, com hemorragia e comprometimento do órgão.

Diante da gravidade do ferimento, os médicos precisaram realizar uma nefrectomia total, cirurgia para a retirada completa do rim. A adolescente passou a viver com apenas um rim e necessita de acompanhamento médico e cuidados para preservar o funcionamento do órgão remanescente.
A cirurgia também deixou uma cicatriz permanente de aproximadamente 17 centímetros no abdômen, considerada pela Justiça na avaliação dos danos estéticos.

Justiça considera previsível reação de fuga em atração de terror
Ao analisar o recurso, os desembargadores entenderam que a tentativa de fuga da adolescente não poderia ser considerada uma situação inesperada.
O relator do caso, desembargador Paulo Ayrosa, destacou que atrações de terror são desenvolvidas justamente para provocar medo, sustos e reações espontâneas dos visitantes. Nesse contexto, correr ou tentar escapar de personagens assustadores integra os riscos previsíveis da atividade explorada comercialmente.
O tribunal também considerou que o parque não apresentou imagens das câmeras de segurança que poderiam esclarecer as circunstâncias da queda e as condições do ambiente.
Embora a perícia tenha afastado a responsabilidade direta da empresa pelo resultado, os magistrados ressaltaram que a definição da responsabilidade civil cabe à Justiça. O exame pericial confirmou a relação entre o impacto sofrido pela adolescente e a lesão que provocou a perda do rim.
Com a decisão, foi mantida a indenização de R$ 50 mil por danos morais e R$ 10 mil por danos estéticos. Um pedido adicional de R$ 150 mil por danos materiais foi rejeitado.
Hopi Hari contesta decisão e anuncia novo recurso
O Hopi Hari sustenta que a adolescente descumpriu as orientações de segurança ao correr dentro da atração. A empresa também afirma que o local não apresentava irregularidades capazes de provocar o acidente.
Nos embargos apresentados ao TJ-SP, a defesa questionou a análise da prova pericial e alegou que a decisão anterior não havia esclarecido adequadamente a possibilidade de culpa exclusiva da vítima.
Os argumentos foram rejeitados por unanimidade. Os desembargadores entenderam que não havia omissões ou contradições no julgamento anterior e advertiram que a apresentação de novos recursos destinados apenas a rediscutir questões já examinadas poderá resultar em multa.
Em nota, o parque reiterou que a perícia judicial não atribuiu à empresa responsabilidade pelo acidente e informou que seu departamento jurídico recorrerá da decisão.
A condenação permanece mantida, mas o processo ainda poderá ser levado às instâncias superiores.
Outro acidente no parque deixou jovem com sequelas graves
A decisão ocorre em meio à repercussão de outro caso envolvendo o Hopi Hari. Em abril de 2026, uma mulher de 28 anos sofreu uma grave lesão cerebral após andar na montanha-russa Montezum.
A jovem apresentou hemorragia intracraniana e edema cerebral, precisou passar por cirurgias e ficou com sequelas neurológicas, incluindo comprometimento dos movimentos do lado esquerdo do corpo e dificuldades na fala.
O episódio é alvo de apuração para esclarecer as circunstâncias do acidente e eventual responsabilidade do estabelecimento. O Hopi Hari afirma que segue protocolos de segurança e realiza inspeções periódicas em suas atrações.
Os dois casos envolvem situações distintas. No acidente ocorrido em 2023, a condenação por danos morais e estéticos foi mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, enquanto o episódio envolvendo a montanha-russa possui investigação própria.
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