Anos de provas, treinamentos e jornadas extensas de estudo levaram seis estudantes brasileiros a Xangai, na China, onde eles representam o país na 67ª Olimpíada Internacional de Matemática. A competição reúne alguns dos jovens mais talentosos do mundo em desafios que exigem muito mais do que o conhecimento de fórmulas.
A equipe nacional é formada por Levi Magalhães Pereira Castelo Branco, Paulo Jônatas de Oliveira Pimentel Leite, Enzo Holanda Sampaio e José Elias Padovan Britto, do Ceará; Rafael Alves Amiune, do Rio de Janeiro; e Erick Akira Koga, de São Paulo.
Os brasileiros são acompanhados pelos professores Edmilson Motta e Samuel Barbosa Feitosa. Em Xangai, eles enfrentam 685 competidores de 119 países em uma programação iniciada em 9 de julho e prevista para terminar no dia 21.
As provas apresentam problemas de álgebra, geometria, combinatória e teoria dos números. Cada participante precisa desenvolver uma solução completa, justificar todas as etapas e apresentar um raciocínio matemático consistente.
Diferentemente de avaliações com respostas prontas, a olimpíada valoriza o caminho utilizado para resolver cada questão. Uma conclusão correta sem demonstração adequada pode não garantir pontuação integral.
Os problemas são elaborados para colocar à prova a criatividade, a capacidade de identificar padrões e a habilidade de combinar conhecimentos de diferentes áreas. A memorização de procedimentos, portanto, não é suficiente para alcançar um bom resultado.
Seleção começou com medalhas nacionais
Os seis representantes conquistaram medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática de 2025. O resultado foi apenas uma das etapas de um processo seletivo que incluiu novas avaliações, acompanhamento especializado e treinamentos de alto nível.
A preparação para chegar à competição internacional começa, em muitos casos, ainda no ensino fundamental. Os jovens participam de olimpíadas científicas, resolvem listas avançadas de exercícios e passam por sucessivas seleções até alcançar uma das seis vagas disponíveis na delegação brasileira.
José Elias Padovan Britto, de 16 anos, enfrentou períodos em que permanecia na escola das 8h às 20h. As jornadas de até 12 horas eram dedicadas a aulas, revisões, resolução de problemas e discussão de estratégias.
A convivência com estudantes mais experientes também teve papel importante em sua formação. Os participantes mais velhos compartilhavam técnicas e ajudavam os mais novos a compreender problemas de maior complexidade.
Com o avanço da própria trajetória, José Elias passou a colaborar com alunos iniciantes. A experiência de ensinar, segundo o estudante, contribui para reforçar o domínio do conteúdo e tornar o raciocínio mais claro.
Essa troca de conhecimento é comum nos treinamentos. Os estudantes comparam diferentes soluções, analisam erros e aprendem a defender cada argumento matemático com precisão.
Experiência ajuda a controlar a pressão
Além da preparação técnica, os competidores precisam lidar com a ansiedade provocada por provas longas, questões inéditas e pela responsabilidade de representar o país.
Paulo Jônatas de Oliveira Pimentel Leite, de 17 anos, participa da Olimpíada Internacional de Matemática pela terceira vez. A experiência acumulada nas edições anteriores ajuda a tornar o ambiente menos desconhecido, embora a tensão continue presente.
Para reduzir o desgaste antes das provas, ele costuma ouvir música e reservar o dia anterior para descansar. A pausa funciona como uma forma de recuperação mental depois de semanas de treinamento.
O equilíbrio emocional pode influenciar diretamente o desempenho. Um erro de interpretação, uma escolha apressada ou a dificuldade de administrar o tempo pode comprometer uma solução construída ao longo de horas.
Levi Magalhães Pereira Castelo Branco, de 18 anos, também chega à terceira participação internacional. Ele já disputou edições realizadas no Reino Unido e na Austrália.
A competição em Xangai representa o encerramento de uma etapa iniciada ainda durante o ensino fundamental. Ao longo desse período, Levi acumulou viagens, provas, treinamentos e contato com estudantes de diferentes culturas.
Para ele, a olimpíada não se resume à tentativa de conquistar uma medalha. A convivência com jovens que compartilham o interesse pela matemática está entre os aspectos mais relevantes da experiência.
Em sua última participação nessa fase acadêmica, o estudante pretende utilizar o conhecimento adquirido nas edições anteriores para alcançar o melhor resultado possível e contribuir com a delegação brasileira.
Delegação participou de treinamento em Pequim
Antes de seguir para Xangai, a equipe brasileira participou do International Mathematics Summer Camp, realizado em Pequim.
O encontro reuniu mais de 400 estudantes de 55 países e serviu como preparação para a competição principal. Os participantes resolveram problemas avançados, conheceram diferentes métodos de estudo e conviveram com adversários que também estariam na olimpíada.
A passagem por Pequim ainda ajudou os brasileiros na adaptação ao fuso horário, à alimentação, ao clima e à rotina de atividades na China.
Depois do treinamento, a delegação viajou para Xangai e passou a cumprir a programação oficial do evento.
Olimpíada pode influenciar futuro acadêmico
As medalhas são concedidas individualmente, mas o desempenho dos estudantes resulta de um trabalho coletivo que envolve professores, escolas, familiares e colegas de treinamento.
A participação em competições científicas também pode abrir caminhos acadêmicos. Muitos ex-competidores seguem carreiras em matemática, engenharia, computação, economia e pesquisa.
Além do desenvolvimento intelectual, a olimpíada oferece contato com estudantes de dezenas de países. Mesmo falando idiomas diferentes e vivendo realidades distintas, os participantes se aproximam pelo interesse comum em resolver problemas.
A edição de Xangai representa, para a equipe brasileira, a etapa final de uma preparação construída ao longo de anos.
Diante de 685 competidores, Levi, Paulo Jônatas, Enzo, José Elias, Rafael e Erick buscam transformar milhares de horas de treinamento em soluções criativas e resultados capazes de manter o Brasil entre os destaques da matemática internacional.
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