Um amplo levantamento realizado nos Estados Unidos reforça a importância de usar o dispositivo de segurança adequado para cada fase da infância. A pesquisa analisou 39.993 crianças, de 1 a 13 anos, envolvidas em acidentes de trânsito e atendidas em centros de trauma do país entre 2018 e 2022.
Os resultados chamaram a atenção dos pesquisadores: 39,1% das crianças estavam sem qualquer sistema de retenção no momento do acidente. Outras 18,7% utilizavam um equipamento considerado inadequado para a idade, altura ou peso. Somados, os dois grupos representam quase 58% da amostra.
O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores ligados ao Injury Biomechanics Research Center da Universidade Estadual de Ohio e publicado em agosto na revista científica Traffic Injury Prevention. Para a análise, foram utilizados dados do Trauma Quality Program, mantido pelo American College of Surgeons.
Ferimentos mais graves
A diferença apareceu também na gravidade das lesões. Entre todas as crianças avaliadas, 40,5% sofreram ferimentos classificados como graves, severos ou críticos.
As crianças que estavam completamente sem dispositivo de retenção apresentaram uma chance 56% maior de sofrer lesões graves em comparação com aquelas que utilizavam o sistema considerado adequado.
O aumento do risco foi observado em diferentes regiões do corpo. Entre crianças sem proteção adequada, foram maiores as chances de lesões graves na cabeça, tórax, abdômen, coluna e extremidades. Os autores também destacaram que a ausência ou inadequação dos dispositivos esteve relacionada a maior risco de ferimentos severos e de desfechos fatais.
A cabeça foi a região mais frequentemente atingida, respondendo por 46% das lesões identificadas no levantamento.
Problema aumenta à medida que a criança cresce
Outro dado chamou a atenção dos pesquisadores. Entre crianças de 1 a 7 anos, a probabilidade de utilização de um sistema inadequado aumentou progressivamente com a idade.
A proporção passou de 6,29% entre crianças de 1 ano para 39,36% aos 7 anos. Segundo os pesquisadores, isso indica que uma das dificuldades está justamente no momento de substituir a cadeirinha pelo assento de elevação e, posteriormente, pelo cinto de segurança convencional.
A pesquisadora Gretchen Baker, principal autora do trabalho, afirma que ainda há muitas famílias utilizando cadeirinhas, boosters e cintos de maneira incompatível com as características da criança. Para os autores, ampliar a orientação aos responsáveis, especialmente durante as mudanças entre os diferentes tipos de equipamento, pode reduzir o número e a gravidade das lesões.
O que vale no Brasil
No Brasil, crianças com menos de 10 anos que ainda não tenham atingido 1,45 metro devem, como regra, ser transportadas no banco traseiro com o sistema de retenção adequado. A regulamentação está prevista no Código de Trânsito Brasileiro e na Resolução nº 819 do Conselho Nacional de Trânsito.
As regras estabelecem bebê-conforto para crianças de até 1 ano ou até 13 quilos; cadeirinha para a faixa de 1 a 4 anos ou entre 9 e 18 quilos; e assento de elevação para crianças acima de 4 anos até 7 anos e meio ou que ainda não tenham atingido os limites previstos para o uso adequado do cinto. A orientação também leva em consideração peso, altura e os limites determinados pelo fabricante do equipamento.
O levantamento norte-americano reforça que não basta simplesmente colocar a criança no carro com algum equipamento de segurança. O tipo de dispositivo precisa acompanhar seu crescimento e ser utilizado conforme as recomendações de segurança.
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