A Polícia Federal aponta a existência de uma suposta organização criminosa estruturada em diferentes frentes de atuação digital e operacional, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.
As informações foram divulgadas em reportagem do programa Fantástico, neste domingo (17), com base em investigações que tramitam sob análise do Supremo Tribunal Federal.
Segundo os relatórios da investigação, o esquema seria dividido em dois núcleos principais: um grupo de hackers apelidado de “Os Meninos” e uma estrutura operacional chamada “A Turma”, responsável por ações no mundo físico.
A PF afirma que ambos atuariam de forma coordenada em atividades como ataques cibernéticos, monitoramento ilegal e intimidação de adversários.
A apuração também indica a possível participação de policiais, integrantes ligados ao crime organizado e o uso de ferramentas tecnológicas avançadas, incluindo inteligência artificial e documentos falsificados. De acordo com os investigadores, o grupo operava com alto grau de organização e divisão de tarefas.
Entre os nomes investigados está o hacker Victor Lima Sedlmaier, preso em operação internacional em Dubai. Ele teria prestado serviços ao grupo a partir de 2024 e, em depoimento, afirmou desenvolver softwares sob pagamento mensal, além de bônus por atividades específicas.
Outro investigado citado é David Henrique Alves, apontado como responsável pela coordenação do núcleo digital. Segundo a PF, ele recebia remuneração elevada e atuava como intermediador de ordens dentro da estrutura hacker.
No braço operacional, os investigadores mencionam a atuação de indivíduos ligados a atividades ilícitas e agentes públicos, incluindo policiais da ativa e aposentados. Esse núcleo, conhecido como “A Turma”, seria responsável por ações presenciais como ameaças, coerção e acesso indevido a sistemas públicos.
Os relatórios também citam a participação de Henrique Vorcaro como suposto financiador e articulador de ações operacionais do grupo. A PF afirma que ele teria papel central na sustentação logística de parte das atividades investigadas.
Um dos episódios mencionados envolve a suposta perseguição ao jornalista Lauro Jardim, que teria sido alvo de discussões internas do grupo, incluindo a possibilidade de intimidação durante uma ação simulada de assalto.
Mensagens interceptadas indicam trocas de conteúdo entre suspeitos sobre ataques virtuais e tentativas de invasão de dispositivos.
Outro ponto destacado é a suposta produção de documentos falsos atribuídos ao grupo, incluindo um ofício que teria sido enviado em nome de uma instituição pública para solicitar a remoção de um perfil em rede social. A PF investiga ainda o possível envolvimento de servidores públicos na ação.
As investigações seguem em andamento para esclarecer a extensão das atividades, a responsabilidade individual de cada envolvido e o alcance das ações atribuídas à suposta organização criminosa.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











