A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 1º de julho, uma nova etapa da investigação que apura suspeitas de desvio de recursos públicos ligados à cota parlamentar.
Batizada de Operação Galho Fraco II, a ação corresponde à terceira fase da Operação Rent a Car, iniciada para investigar possíveis irregularidades em contratos de locação de veículos custeados com verba destinada ao exercício de mandatos parlamentares.
As medidas judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal e cumpridas no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais. Segundo a Polícia Federal, o objetivo é aprofundar a apuração e reunir elementos de prova sobre a suposta prática de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa.
A investigação busca esclarecer se empresas, particulares e agentes públicos teriam atuado de forma coordenada para dar aparência legal a movimentações financeiras feitas com recursos de origem pública.
A suspeita é de que contratos de aluguel de veículos possam ter sido usados para justificar despesas vinculadas à atividade parlamentar, enquanto parte dos valores teria sido desviada ou ocultada.
A cota parlamentar é uma verba pública destinada a custear gastos relacionados ao mandato, como transporte, comunicação, divulgação, aluguel de veículos, passagens e outras despesas previstas nas normas da Câmara. Embora o uso desses recursos seja permitido, ele deve seguir critérios de transparência, finalidade pública e comprovação documental.
A Operação Galho Fraco II é um desdobramento de fases anteriores da Rent a Car. Em dezembro de 2025, a Polícia Federal já havia deflagrado a Operação Galho Fraco, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro. Naquele momento, os investigadores apuravam suspeitas de desvio de dinheiro público por meio da contratação de locadoras de veículos.
Entre os alvos daquela etapa estiveram os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro. A apuração apontava suspeitas de que empresas de aluguel de carros teriam sido utilizadas para movimentar valores oriundos das cotas parlamentares de gabinetes. Os parlamentares negaram irregularidades.
Sóstenes Cavalcante afirmou, à época, que apresentaria documentos para comprovar a legalidade das transações investigadas. Carlos Jordy declarou que a empresa contratada para locação de veículos presta serviço ao seu gabinete desde o primeiro mandato e que também atenderia outros parlamentares.
Nas fases anteriores, a Polícia Federal identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis ou sem origem esclarecida em contas de pessoas ligadas aos investigados. Um dos pontos citados pela apuração foi a movimentação de valores milionários, que os investigadores passaram a analisar para verificar se havia relação com recursos públicos provenientes das cotas parlamentares.
A nova fase da operação amplia o alcance das diligências e busca esclarecer o papel de pessoas físicas e jurídicas na suposta estrutura investigada. A PF deve analisar documentos, contratos, registros financeiros, comunicações e eventuais vínculos entre empresas contratadas e pessoas ligadas aos mandatos parlamentares.
Outro ponto de interesse da investigação é verificar se as empresas envolvidas tinham estrutura real para prestar os serviços declarados. A apuração também deve avaliar se os veículos foram efetivamente disponibilizados, se os contratos correspondiam à realidade e se os valores pagos eram compatíveis com o serviço prestado.
O fato de as medidas terem sido autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal reforça a dimensão institucional do caso, já que investigações envolvendo parlamentares com foro por prerrogativa de função dependem da supervisão da corte. A autorização para as diligências não representa condenação, mas permite que a Polícia Federal avance na coleta de provas.
A Operação Rent a Car também reacende o debate sobre fiscalização e transparência no uso das cotas parlamentares. A verba tem previsão legal e existe para garantir o funcionamento dos mandatos, mas investigações sobre possíveis desvios expõem a necessidade de controle rigoroso sobre despesas pagas com dinheiro público.
Para investigadores, a análise dos documentos apreendidos será essencial para definir se houve apenas irregularidades administrativas, inconsistências na prestação de contas ou a formação de um esquema estruturado para desvio e ocultação de recursos.
Até o momento, os fatos são tratados como suspeitas. Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório. A continuidade da Operação Galho Fraco II deverá indicar se os elementos reunidos confirmam a existência de crimes ou se as movimentações questionadas têm justificativa legal.
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