Um estudo realizado por pesquisadores da UFRJ, com apoio da Faperj, descobriu que as ascídias – pequenos organismos que vivem no fundo do mar – podem abrir novos caminhos para o desenvolvimento de tratamentos contra doenças como Alzheimer e Parkinson.
Regeneração cerebral impressionante
As ascídias chamaram a atenção dos cientistas por sua extraordinária capacidade de regeneração do sistema nervoso. Enquanto os humanos não conseguem regenerar neurônios perdidos, esses organismos marinhos são capazes de recuperar completamente funções cerebrais em menos de 15 dias.
Semelhanças com o cérebro humano
A pesquisa identificou que as ascídias possuem uma estrutura cerebral semelhante à dos vertebrados, tornando-as um modelo valioso para estudos neurológicos. Além disso, os cientistas isolaram uma molécula promissora que pode servir de base para novos medicamentos neuroprotetores.
Impacto nas doenças neurodegenerativas
No Brasil, o Alzheimer afeta mais de 1,2 milhão de pessoas, com 100 mil novos casos diagnosticados a cada ano. Já o Parkinson atinge cerca de 200 mil brasileiros. A descoberta pode levar a tratamentos que retardam a progressão dessas doenças e protegem os neurônios existentes.
Importância ecológica
Com mais de 3.000 espécies conhecidas, as ascídias desempenham um papel crucial nos ecossistemas marinhos, filtrando grandes volumes de água do mar. Seu estudo agora revela um potencial inesperado na área médica.
Próximas etapas
Os pesquisadores planejam agora:
– Realizar testes em modelos animais
– Identificar com precisão a molécula promissora
– Buscar parcerias para desenvolvimento de fármacos
Apesar do entusiasmo, os cientistas estimam que podem ser necessários de 10 a 15 anos para que um medicamento derivado desta pesquisa esteja disponível.
Sobre as doenças
– Alzheimer: principal tipo de demência no mundo, responsável por 70% dos casos
– Parkinson: segunda doença neurodegenerativa mais frequente
A pesquisa continua em andamento no Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da UFRJ, campus Macaé, sob a liderança da pesquisadora Cíntia Monteiro de Barros.
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