Uma operação coordenada pela Polícia Civil do Distrito Federal desarticulou, nesta quarta-feira (12), parte de uma organização suspeita de fabricar e comercializar anabolizantes de forma clandestina em diferentes regiões do país. A Operação Narciso contou com ações no Distrito Federal e em outros oito estados.
A Justiça autorizou o cumprimento de 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, além do bloqueio de aproximadamente R$ 32 milhões em contas bancárias relacionadas aos investigados. Até o momento, pelo menos 30 pessoas foram presas, incluindo sete suspeitos localizados no Paraguai.
A investigação envolve pessoas com diferentes atuações profissionais, entre elas empresários, influenciadores digitais, treinadores, nutricionistas, biomédicos, veterinários e farmacêuticos. As diligências também ocorreram em estados como Paraíba, Acre, Minas Gerais e Paraná.
Produção ocorria em locais improvisados
Segundo a Polícia Civil, o grupo mantinha uma estrutura clandestina para fabricar substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes. A produção seria realizada em imóveis residenciais e depósitos adaptados, sem condições consideradas adequadas para garantir padrões de higiene, composição e segurança dos produtos.
De acordo com o delegado Rodrigo Carbone, da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, parte dos insumos utilizados pelos investigados teria sido adquirida ilegalmente no Paraguai. Os materiais eram posteriormente manipulados e destinados à comercialização no mercado brasileiro.
As apurações indicam que a organização contava com uma rede formada por empresas, depósitos, academias, farmácias de manipulação e até uma gráfica, que teria desempenhado funções relacionadas ao esquema.
Investigação aponta movimentação financeira
Além da estrutura de produção e distribuição, os investigadores identificaram mecanismos utilizados para movimentar os recursos obtidos com as atividades investigadas.
Segundo a polícia, empresas de fachada, pessoas interpostas e diferentes contas bancárias eram utilizadas para dificultar o rastreamento do dinheiro. Plataformas de apostas também teriam sido empregadas para movimentar e transferir valores.
Durante a operação, foram apreendidos veículos importados, relógios, joias, dinheiro em espécie, documentos, aparelhos celulares e frascos de anabolizantes. Ao todo, 25 veículos foram recolhidos pelas equipes.
A polícia afirma que integrantes do grupo apresentavam elevado padrão de consumo e mantinham bens de alto valor. Parte das apreensões foi realizada em imóveis considerados de alto padrão.
Estabelecimentos foram interditados
As medidas judiciais também resultaram na interdição de 13 estabelecimentos comerciais e laboratórios apontados nas investigações. Além disso, 22 perfis utilizados em redes sociais foram bloqueados.
Os materiais recolhidos serão submetidos a perícia e análise policial. A investigação deverá continuar para esclarecer a participação de cada suspeito, identificar outros possíveis integrantes e detalhar o funcionamento da estrutura responsável pela fabricação e distribuição dos produtos.
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