Um levantamento realizado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostra que cerca de 90% dos municípios brasileiros registraram algum tipo de desastre associado à água entre 1991 e 2025.
O estudo analisou ocorrências como enchentes, inundações, deslizamentos, tempestades e períodos prolongados de estiagem. Durante o período avaliado, os eventos extremos provocaram quase 5 mil mortes e causaram perdas econômicas estimadas em US$ 123 bilhões.
As inundações foram os desastres mais registrados no país, representando 45% das ocorrências identificadas. Apesar da menor frequência, as secas tiveram impacto significativo: embora correspondam a apenas 6% dos eventos analisados, foram responsáveis por 35% das mortes contabilizadas pela pesquisa.
Regiões mais afetadas
O levantamento aponta que os impactos dos desastres variam conforme as características de cada região brasileira. O Nordeste concentrou o maior número de municípios atingidos, com 1.765 localidades afetadas por eventos extremos.
Na sequência aparecem as regiões Sudeste, Sul, Norte e Centro-Oeste, que também registraram milhares de ocorrências ao longo das últimas décadas.
O estudo indica ainda que o Sudeste teve o maior número de mortes relacionadas a enchentes, enquanto o Sul registrou a maior quantidade de vítimas em tempestades. Já o Nordeste apresentou os maiores prejuízos econômicos associados às secas prolongadas, que afetaram a produção, o abastecimento e a rotina de comunidades inteiras.
Mudanças climáticas e falta de estrutura ampliam impactos
Segundo os pesquisadores, os danos causados pelos desastres não estão ligados apenas ao aumento da intensidade ou frequência dos fenômenos climáticos extremos.
A ausência de infraestrutura adequada, problemas de planejamento urbano e a falta de preparação para situações de emergência também contribuem para ampliar os impactos sobre a população.
O levantamento destaca que áreas vulneráveis precisam receber investimentos em prevenção, sistemas de monitoramento e políticas de adaptação às mudanças climáticas.
Para os especialistas, medidas antecipadas de planejamento podem reduzir perdas humanas e econômicas diante de eventos extremos que tendem a exigir maior capacidade de resposta dos municípios brasileiros.
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