Mais de 2,4 milhões de brasileiros vivem com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que representa mais de 1% da população, segundo dados do último Censo.
Um levantamento recente, o Mapa Autismo Brasil, divulgado nesta quinta-feira (9), detalha o perfil dessa população e reforça a importância do diagnóstico precoce e de políticas públicas mais eficazes.
De acordo com o estudo, a maioria das pessoas diagnosticadas é do sexo masculino, branca e tem menos de 17 anos, faixa etária em que se concentram grande parte das identificações do transtorno.
O material foi desenvolvido para subsidiar ações governamentais, campanhas de conscientização e ampliar o conhecimento sobre o TEA no país.
A pesquisa também evidencia desafios enfrentados por essa população. O acesso a terapias pelo Sistema Único de Saúde ainda é limitado, alcançando cerca de 15% dos casos, enquanto a maior parte dos atendimentos ocorre por meio da rede privada ou planos de saúde.
No mercado de trabalho, o cenário também preocupa: quase 30% dos entrevistados estão desempregados ou sem renda.
Outro ponto destacado é a dificuldade no diagnóstico tardio, especialmente entre adultos. A professora de geografia Vanessa Tirelli relatou que só recebeu o diagnóstico aos 32 anos, após anos de dificuldades de socialização e crises de ansiedade.
Segundo ela, a descoberta trouxe mais compreensão sobre sua trajetória e contribuiu para melhorar sua qualidade de vida.
A diretora do Instituto Autismo Brasil, Ana Carolina Steinkopf, ressalta que identificar o transtorno precocemente é fundamental para garantir acesso a acompanhamento adequado e maior entendimento sobre as próprias necessidades.
O levantamento ouviu mais de 23 mil pessoas em todos os estados brasileiros entre março e julho de 2025, por meio de questionário online respondido voluntariamente por autistas ou responsáveis.
Os dados reforçam a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico e tratamento, além de promover inclusão social e melhores condições de vida para essa parcela da população.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











