Quem olhou para o céu durante a madrugada desta sexta-feira (28) encontrou uma Lua muito diferente da habitual. Um profundo eclipse lunar parcial encobriu quase todo o satélite e produziu tons avermelhados que puderam ser observados de diferentes regiões do Brasil.
A fase parcial começou por volta das 23h33 de quinta-feira (27), no horário de Brasília. A partir desse momento, a sombra mais escura da Terra avançou gradualmente sobre o disco lunar até atingir seu ponto máximo à 1h12. Nesse instante, aproximadamente 96% da Lua estava dentro da umbra terrestre, deixando apenas uma pequena faixa iluminada.
O resultado visual ficou muito próximo de um eclipse total. Grande parte da superfície lunar assumiu tonalidades que variaram do cobre ao vermelho escuro, enquanto uma pequena região permaneceu mais clara. A fase parcial terminou pouco antes das 3h, embora a etapa penumbral, mais discreta e difícil de perceber a olho nu, tenha continuado por mais algum tempo.
Apesar de ser chamado popularmente de “Lua de Sangue”, o fenômeno desta madrugada não chegou à totalidade. Para que isso acontecesse, todo o disco lunar precisaria entrar na região mais escura da sombra projetada pela Terra. Desta vez, cerca de 4% permaneceu fora dela no momento de maior cobertura.
A coloração avermelhada tem uma explicação semelhante àquela que produz tons vermelhos e alaranjados no nascer e no pôr do sol. Durante o eclipse, a Terra fica posicionada entre o Sol e a Lua. Parte da luz solar atravessa a atmosfera terrestre, que dispersa mais facilmente os comprimentos de onda azulados e permite que uma quantidade maior de luz avermelhada seja desviada em direção à superfície lunar.

Por isso, mesmo dentro da sombra da Terra, a Lua não desaparece completamente. A intensidade e a tonalidade do vermelho podem variar de um eclipse para outro conforme as condições da atmosfera terrestre, incluindo a presença de partículas, poeira e fumaça.
O evento desta sexta teve ainda uma característica favorável para os brasileiros. No momento de maior cobertura, a Lua estava próxima do zênite em uma região da Amazônia brasileira, enquanto grande parte do continente americano encontrava-se no lado noturno da Terra e pôde acompanhar as principais fases do eclipse.
A observação não exigiu telescópios, filtros ou equipamentos de proteção. Diferentemente dos eclipses solares, os eclipses lunares podem ser vistos diretamente a olho nu sem risco para a visão. Binóculos e telescópios servem apenas para ampliar os detalhes da superfície.
Além do espetáculo no céu, eclipses lunares têm importância histórica para a astronomia. Há séculos, a forma curva da sombra terrestre projetada sobre a Lua é uma das observações utilizadas para compreender a geometria do planeta. Durante um eclipse, essa curvatura se torna especialmente evidente conforme a umbra atravessa o disco lunar.
O fenômeno desta madrugada foi considerado particularmente profundo justamente porque chegou muito perto da totalidade. Segundo dados astronômicos do evento, a Lua permaneceu dentro da umbra terrestre por aproximadamente três horas e 19 minutos.
Para quem perdeu o espetáculo, novas oportunidades virão, mas um eclipse parcial tão profundo não é um acontecimento cotidiano. A combinação entre elevada cobertura e ampla visibilidade nas Américas fez do evento de 27 para 28 de agosto um dos principais fenômenos astronômicos observáveis no Brasil em 2026.
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