Durante o Acampamento Terra Livre, lideranças indígenas entregaram nesta quinta-feira (9), em Brasília, um documento ao Ministério das Relações Exteriores propondo a criação de áreas proibidas para exploração de petróleo e gás em regiões de alta relevância ambiental e cultural.
A iniciativa também defende que os territórios indígenas sejam incorporados de forma central às estratégias globais de enfrentamento da crise climática.
A proposta prevê a criação das chamadas “Zonas Livres de Combustíveis Fósseis (FFZs)”, que funcionariam como espaços protegidos contra atividades de exploração energética.
O documento integra recomendações voltadas à construção de um “mapa do caminho global”, tema discutido pelo governo brasileiro durante a COP 30, ainda sem consenso entre os países participantes.
Segundo o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Dinamam Tuxá, não é possível avançar em uma transição energética considerada justa sem a proteção dos territórios indígenas. Ele afirma que a demarcação dessas áreas é essencial para o enfrentamento da crise climática global.
O documento, elaborado por lideranças presentes no acampamento que reúne cerca de 8 mil pessoas em Brasília, também defende o fim da abertura de novos campos de petróleo, gás e carvão, além da criação de um acordo internacional para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
Para os povos indígenas, o custo da inação diante das mudanças climáticas já impacta setores como produção de alimentos, saúde e segurança.
A proposta ressalta ainda que territórios indígenas apresentam menores índices de desmatamento e desempenham papel relevante na preservação da biodiversidade e no equilíbrio climático.
O texto também cita experiências internacionais, como a decisão do Equador de restringir exploração em áreas sensíveis, e reforça a importância do direito à consulta prévia, livre e informada das comunidades tradicionais em projetos que afetem suas terras.
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